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catálogo Potamotrygonidae · predador

arraia-motoro (arraia-de-água-doce)

Potamotrygon motoro

Água doce

A arraia de água doce mais espalhada da América do Sul, com ocelos amarelo-alaranjados no dorso. O ferrão da cauda causa dor muito forte e feridas que demoram a fechar.

Também chamado de: arraia, arraia-de-água-doce, raia, raia-motoro, boró, arraia-grande, arraia-de-fogo, arraia-maçã

Ilustração científica de Arraia-motoro (arraia-de-água-doce)
tamanho comum
40–70 cm
máximo
100 cm
peso comum
2–8 kg
recorde/máx.
34,0 kg
profundidade
0,2–5 m
água ideal
24–30 °C
visão geral

quem é a arraia-motoro (arraia-de-água-doce)

Raia de água doce de disco quase redondo, que fica enterrada na areia ou na lama de praias, beiras e lagoas e come invertebrados e peixes pequenos. Ocorre nas bacias Amazônica, do Orinoco, do Paraguai-Paraná e do Uruguai. No alto rio Paraná, as raias não existiam até a barreira de Sete Quedas ser coberta pelo lago de Itaipu; depois disso, espécies do médio Paraná subiram o rio e hoje aparecem no alto Paraná e em afluentes como o Paranaíba. Os acidentes atingem banhistas e pescadores que pisam no peixe em água rasa ou o manuseiam depois de fisgado. O ferrão serrilhado da cauda injeta veneno: a dor é intensa e a pele em volta da ferida costuma necrosar. Na bacia do Prata há outras raias oceladas parecidas, duas delas descritas em 2013.

curiosidades

  • O ferrão é uma escama modificada (dentículo da pele), serrilhada, que cai e é trocada de tempos em tempos; algumas raias têm dois.
  • As raias de água doce dão à luz filhotes já formados, poucos por gestação.
como reconhecer

identificação

Disco arredondado, marrom-oliva a cinza no dorso, coberto de ocelos (pintas redondas) amarelos a alaranjados com borda escura, do tamanho do olho ou maiores e distribuídos por igual. Ventre com grande área central esbranquiçada e bordas cinzentas. Cauda curta e grossa, com um ou dois ferrões serrilhados. Os nomes arraia-de-fogo e arraia-maçã também são usados para a Paratrygon aiereba, de disco mais largo e cauda fina e curta, que está Criticamente em Perigo e não pode ser capturada.

como está a pesca de arraia-motoro (arraia-de-água-doce)

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Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Bacias Amazônica e do Orinoco, sistema Paraguai-Paraná e bacia do Uruguai. No alto Paraná (SP, PR, MS, MG e GO), as raias chegaram depois da formação do lago de Itaipu, em 1982, e o Paraná e Goiás tratam as raias dessa bacia como não nativas.

Habitat: Fundo de areia e lama em praias, beiras rasas, remansos, lagoas e bocas de lago; fica enterrada, com só os olhos de fora.

nativa nas bacias

AmazônicaTocantins-AraguaiaParaguai (Pantanal)Uruguai

introduzida em

Paraná

estados

Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: jul–out
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Não é peixe-alvo. Na seca, com praias e beiras rasas, os acidentes ficam mais comuns: arraste os pés ao entrar na água.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Noite e crepúsculo. Caça mais à noite e no crepúsculo; de dia costuma ficar enterrada no raso.

clima, água e comportamento

o que mexe com a arraia-motoro (arraia-de-água-doce)
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Água fria deixa a raia parada e enterrada, ainda mais difícil de ver.

pressão atmosférica

Pouco efeito conhecido.

lua

Pouco efeito conhecido.

chuva

Água turva esconde a raia no raso: redobre o cuidado.

nível da água

Rio baixo expõe praias e bancos de areia, onde a raia fica.

barulho

Pouco sensível; costuma ficar parada e não foge.

vento

Pouco efeito.

profundidade

Raso, de 0,2 a 2 m nas praias; mais fundo no canal.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
não se aplica: não é peixe-alvo
molinete / carretilha
não se aplica
linha
não se aplica
líder
não se aplica
anzol
não se aplica

acessórios

  • alicate de cabo longo
  • faca ou tesoura para cortar a linha
  • calçado fechado ou bota na água

dica de quem pesca

Fisgou uma arraia? Não traga para dentro do barco e não pise nela na margem. Mantenha a cauda longe das pernas e corte a linha perto da boca com alicate de cabo longo. No Paraná, veja a regra estadual.

o que a lei diz

regras para a arraia-motoro (arraia-de-água-doce)

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional (Portaria GM/MMA nº 1.667/2026), que inclui outras raias de água doce, como Paratrygon aiereba (CR), Potamotrygon leopoldi (VU), P. marquesi (VU) e P. signata (EN). Na Colômbia, o Libro Rojo (2012) classifica a motoro como Vulnerável (VU).

PR: raias são não nativas nas bacias interiores

captura permitida sem tamanho mínimo; norma veda devolver peixe não nativoPRParanáAtlântico Sudeste

No Paraná, as raias (Potamotrygon spp.) estão na lista de peixes não nativos com captura permitida, livres das regras de tamanho, e a mesma portaria veda a soltura de peixes não nativos capturados. Nunca segure a raia com as mãos nem traga para perto do corpo: o ferrão continua perigoso fora da água.

Fonte: Portaria IAT nº 650/2025, art. 3º, § 1º, e Anexo II - Instituto Água e Terra (PR)

piracemas das bacias onde a espécie vive

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema do Pantanal em Mato Grosso do Sul

05/11 a 28/02MS

Permitido: Pesca de subsistência de ribeirinhos e pesca científica autorizada. O Decreto 15.166/2019 (art. 11, §5º) admite pesque-e-solte só em fevereiro e só nas calhas dos rios Paraguai e Paraná. No resto do período não há nem pesque-e-solte. Confirme a portaria do Imasul de cada temporada.

Fonte: Decreto estadual MS nº 15.166/2019, art. 11; IN IBAMA nº 201/2008

Piracema em Mato Grosso (todas as bacias)

01/10 a 31/01MT

Permitido: Todas as modalidades de pesca ficam proibidas nos rios, inclusive o pesque-e-solte (Lei 9.096/2009, art. 19-A). Exceções: subsistência desembarcada (3 kg ou 1 exemplar, sem transporte nem venda) e pesca científica. A Lei 13.159/2025 passou a admitir pesca desportiva licenciada em reservatórios de UHE/PCH, lagos naturais e rios de divisa, condicionada a estudo científico e a licença do órgão ambiental. Não confirmamos se essas licenças já são emitidas.

Fonte: IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017; Resolução Cepesca-MT nº 1/2026; Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A e 27 (Leis 12.434/2024 e 13.159/2025)

Piracema da bacia do rio Araguaia

01/11 a 28/02GOTOPAMT

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com linha de mão, vara ou molinete/carretilha. O pescado só pode ser consumido no local, sem transporte. Competições proibidas. Subsistência: 3 kg + 1 exemplar. Regras estaduais (GO e TO) podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2011

Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi

01/11 a 28/02TOPAMAGO

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com consumo no local. Subsistência: 5 kg + 1 exemplar. Regras estaduais podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 13/2011

Piracema da bacia do rio Uruguai

01/10 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora desembarcada, ou embarcada em barco sem motor. Só linha de mão ou vara, linha e anzol, um petrecho por pescador, até 5 kg. Proibido pescar em lagoas marginais, até 1.500 m de barragens, até 500 m de confluências e em trechos listados na norma (ex.: rio Turvo).

Fonte: IN IBAMA nº 193/2008

Defeso nos rios da Ilha de Marajó (PA)

01/01 a 30/04PA

Permitido: Mesmas exceções do amador previstas na Portaria 48/2007 (linha de mão ou vara, 5 kg + 1 exemplar), salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Defeso da bacia Amazônica no Amapá

15/11 a 15/03AP

Permitido: Amador com linha de mão ou vara, linha e anzol fica fora das proibições do Anexo II, com cota de 5 kg + 1 exemplar, salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Rios de divisa MT/RO e MT/PA

05/11 a 28/02MTROPA

Permitido: Veja as exceções da Portaria 48/2007 e as regras estaduais de cada margem.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Não segure pela cauda nem pelo disco. Com a arraia na água, corte a linha perto da boca usando alicate de cabo longo. Ferroada: lave o local com água, mergulhe-o em água quente, o mais quente que a pessoa aguentar sem se queimar (teste com a mão de outra pessoa), até a dor aliviar, e procure atendimento médico: a ferida costuma necrosar e pode infeccionar. Não faça torniquete, não corte nem chupe o local.

na cozinha

Pouco consumida. Ao limpar uma arraia morta, lembre que o ferrão continua perigoso.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.01, b = 3.04; FishBase). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Potamotrygon motoro (ficha da espécie)Distribuição, tamanho (até 50 cm de largura do disco, 100 cm de comprimento total e peso máximo publicado de 34,2 kg), ameaça a pessoas (traumatogênica) e lista de países. Página conferida em 13/10/2026.
  2. científica IUCN Red List — Potamotrygon motoro (avaliação global: Pouco Preocupante, LC, 22/10/2024)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  3. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)A espécie não consta da lista (conferido no texto publicado no DOU de 28/04/2026, seção 1, p. 96).
  4. científica Haddad Jr., V. et al. (2004). Freshwater stingrays: study of epidemiologic, clinic and therapeutic aspects based on 84 envenomings in humans and some enzymatic activities of the venom. Toxicon 43(3): 287-294.84 acidentes com raias no Brasil: dor intensa e necrose de pele frequentes; a imersão em água quente aliviou a dor na fase inicial, mas não evitou a necrose.
  5. científica Loboda, T.; Carvalho, M. (2013). Systematic revision of the Potamotrygon motoro species complex in the Paraná-Paraguay basin, with description of two new ocellated species. Neotropical Ichthyology 11(4): 693-737.Caracteres da motoro (ocelos, ventre) e descrição de P. amandae e P. pantanensis. DOI conferido no Crossref.
  6. científica Garrone Neto, D.; Haddad Jr., V.; Vilela, M.; Uieda, V. (2007). Registro de ocorrência de duas espécies de potamotrigonídeos na região do Alto Rio Paraná e algumas considerações sobre sua biologia. Biota Neotropica 7(1): 205-208.Chegada de raias ao alto Paraná depois do represamento. DOI conferido no Crossref.
  7. oficial Mojica, J. I. et al. (eds.) (2012). Libro rojo de peces dulceacuícolas de Colombia 2012.Ficha de P. motoro: categoria nacional VU (A4d), nomes e países. Página conferida em 13/10/2026.
  8. oficial Portaria IAT nº 650/2025 — pesca nas bacias interiores do ParanáAnexo II (não nativas com captura permitida, incluindo Potamotrygon spp.) e art. 3º, § 1º (soltura vedada). Página conferida em 13/10/2026.