glossário
fala de pescador,
fala de pescador,
traduzida
136 termos, do barranco ao mar aberto.
- Ação (da vara)
- Ponto em que a vara dobra sob carga. Rápida dobra só na ponta e dá fisgada seca; moderada dobra até o meio e perdoa mais.
- Água barrenta
- Água carregada de sedimento, de pouca visibilidade. Pede iscas de cor forte e com vibração.
- Água preta (tânica)
- Água cor de chá, ácida e pobre em sedimento, tingida pela matéria orgânica da floresta. Típica do Rio Negro.
- Âncora virtual
- Função do motor elétrico que usa o GPS para manter o barco parado num ponto sem jogar âncora.
- Anzol circle
- Anzol de ponta voltada para a haste que fisga sozinho no canto da boca. Reduz fisgadas na garganta e facilita o pesque-e-solte.
- Arrebentação
- Faixa onde as ondas quebram na praia.
- Assist hook
- Anzol preso por cordinha de fibra na cabeça do jig de metal.
- Backing
- Linha fina e forte enrolada embaixo da linha de fly, como reserva para quando o peixe corre longe.
- Baía (Pantanal)
- Lagoa de água doce na planície pantaneira, permanente ou temporária, que se enche na cheia e pode secar ou se isolar na seca.
- Baixa-mar
- Nível mais baixo da maré.
- Banzeiro
- Ondas formadas por vento ou pela passagem de barcos, comuns nos rios da Amazônia.
- Barbela
- Pode ser a farpa do anzol, que impede a saída do peixe, ou a palheta na frente da isca artificial que a faz mergulhar.
- Barco-hotel
- Embarcação com hospedagem que leva os pescadores aos pontos de pesca e serve de base durante a viagem.
- Barotrauma
- Lesão do peixe de fundo trazido rápido à superfície: a bexiga natatória incha e o peixe não consegue descer sozinho.
- Barranco
- Margem alta do rio. Pescar de barranco é pescar da margem ou com o barco encostado nela, em geral com isca natural.
- Batida
- Técnica de bater a ponta da vara na água para imitar fruta ou bicho caindo, atraindo pacu, piraputanga e outros peixes.
- Bicheiro
- Gancho com cabo para embarcar peixe grande que vai ficar. Não use em peixe que será solto.
- Blank
- O corpo da vara, sem passadores nem cabo. É nele que vêm gravados comprimento, ação, libragem e peso de isca.
- Boga
- Pinça de mão que segura o peixe pela boca. O mesmo que boga-grip.
- Boia cevadeira
- Boia com mola onde se coloca massa ou ração, com anzóis em volta. Ceva e pesca ao mesmo tempo no pesqueiro.
- Cabeça d'água
- Subida repentina e violenta do rio após chuva forte na cabeceira. Saia da margem e do leito ao primeiro sinal de água subindo ou turvando.
- Cabeleira
- Embaraço de linha no carretel da carretilha quando ele gira mais rápido do que a linha sai; no molinete, espirais soltas que embolam.
- Canal 16
- Canal de socorro e chamada do rádio VHF marítimo.
- Caniço
- Vara simples, sem molinete, com a linha amarrada na ponta.
- Carretilha
- Equipamento de carretel giratório montado sobre a vara. Dá precisão e força, mas exige controle com o polegar.
- Ceva
- Jogar alimento na água (milho, ração, massa) para atrair e segurar o peixe num ponto. É proibida em alguns locais.
- Chalana
- Barco-hotel típico do Pantanal, que leva os pescadores e reboca as lanchas de pesca.
- Cheia
- Período de água alta. O peixe se espalha pela mata e pelo campo alagado.
- Chicote
- Montagem com a chumbada na ponta e um a três anzóis em ramais acima dela. Padrão na praia e no fundo do mar.
- CHIRP
- Tecnologia de sonar que emite uma faixa de frequências em vez de uma só. Separa melhor os peixes e mostra mais detalhe.
- Confiança (da previsão)
- O quanto dá para acreditar no tempo previsto para um dia. Cai com a distância e quando os modelos discordam. Não é a chance de pegar peixe.
- Corixo
- Canal natural que liga baías e rios no Pantanal e escoa a água na cheia; alguns correm o ano todo.
- Corredeira
- Trecho de rio raso e rápido, com pedras e água agitada. Bem oxigenado, atrai dourado, piraputanga e matrinxã.
- Corrente de retorno
- Fluxo de água que volta da praia para o mar por um canal. Puxa quem está na água para o fundo.
- Corrico
- Pesca arrastando iscas com o barco em movimento.
- Costão
- Encosta rochosa à beira-mar. Rende garoupa, sargo e robalo, mas é o ponto mais perigoso do litoral.
- Cota
- Quantidade máxima de peixe, em quilos ou unidades, que o pescador amador pode levar.
- Defeso
- Período em que a pesca de certas espécies ou em certas áreas é proibida ou restrita para proteger a reprodução. Datas e regras variam por bacia, estado e espécie.
- Dispositivo de descida
- Peça com peso que leva o peixe com barotrauma de volta à profundidade e o solta lá.
- Down imaging
- Imagem de sonar de alta frequência que desenha com detalhe o que está embaixo do barco.
- Empate
- Terminal já montado, em geral de cabo de aço com anzol e girador, usado com isca natural para peixe de couro e dourado.
- Encastoado
- Anzol ou isca presos em cabo de aço, para peixes que cortam o náilon, como dourado, piranha e cavala.
- Enchente
- No mar, a maré subindo. No rio, a subida do nível da água.
- Estofo
- Intervalo curto em que a maré para de correr, na virada entre enchente e vazante. O peixe costuma parar de comer.
- Estrutura
- Qualquer coisa que muda o fundo ou a margem e abriga peixe: pedra, pau, ponta, laje, ponte, vegetação.
- Estuário
- Encontro do rio com o mar, com água salobra e maré. Berçário de robalo, pescada e camarão.
- Farpa
- Ponta reversa do anzol que segura o peixe. Amassada com alicate, facilita a soltura.
- Fisga livre
- Sistema de alguns molinetes que solta linha com tensão mínima enquanto o peixe come; um giro na manivela volta à fricção normal.
- Fluorocarbono
- Linha de polímero fluorado, discreta na água, que afunda e resiste ao atrito. Usada sobretudo como líder.
- Fly (pesca com mosca)
- Modalidade em que uma linha grossa e pesada carrega uma mosca quase sem peso. Vara, linha e carretilha seguem o mesmo número.
- Frente fria
- Avanço de massa de ar frio, com mudança de vento, chuva e queda de temperatura. Antes dela o peixe costuma comer; depois, para por um a três dias.
- Friagem
- Entrada de ar frio de origem polar que chega ao Pantanal, ao Centro-Oeste e à Amazônia e derruba a temperatura por alguns dias. Tucunaré e outros peixes tropicais param de comer.
- Fricção
- Sistema do molinete ou da carretilha que deixa a linha sair sob tensão regulada, para o peixe correr sem romper a linha.
- Galhada
- Conjunto de galhos e troncos submersos. Abriga peixe e prende isca.
- Garatéia
- Anzol de três pontas usado nas iscas artificiais.
- Girador
- Peça com eixo giratório que evita torção da linha. Também chamado de destorcedor.
- Hélice
- Isca de superfície com hélices nas pontas que espirram e fazem barulho na recolhida.
- Igapó
- Floresta alagada por rios de água preta ou clara na Amazônia, durante a cheia. O peixe entra para comer e se espalha.
- Igarapé
- Riacho ou canal estreito da Amazônia. A boca do igarapé é ponto clássico de tucunaré.
- IGFA
- Associação internacional que define regras de equipamento e homologa recordes de pesca esportiva.
- Índice de pesca
- Nota de 0 a 100 que o app dá às condições de pesca de cada hora, para uma espécie e um local. Lê tempo, sol, lua, maré e o jeito da espécie. Não promete peixe: diz quando a água está a favor. 0–24 fraca, 25–44 regular, 45–64 boa, 65–84 muito boa, 85–100 excelente.
- Isca viva
- Isca natural mantida viva, como lambari, tuvira, camarão e sardinha. O movimento atrai predadores.
- Isqueiro
- Pessoa que captura e vende isca viva, como tuvira e lambari.
- Janela
- Horas seguidas com o índice perto do pico do dia e sem alerta de perigo. É a hora de estar com a isca na água.
- Jig
- Isca com peso concentrado, trabalhada com puxões e quedas. Pode ser de penas, de chumbo com soft ou de metal.
- Jig head
- Anzol com cabeça de chumbo moldada, onde se monta isca macia.
- Laje
- Formação de pedra plana no fundo ou aflorando na superfície. Ponto de garoupa, badejo e peixes de passagem.
- Leader (líder)
- Trecho final de linha mais resistente ou mais discreta entre a linha principal e a isca. Protege contra dente, pedra e pau.
- Libra (lb)
- Unidade usada para resistência de linha e de vara. 1 lb equivale a 0,4536 kg.
- Licença de pesca amadora
- Autorização federal exigida para a pesca amadora no Brasil, com casos de isenção previstos na norma.
- Linha fusível
- Trecho de linha mais fraca que prende a chumbada. No enrosco, só a chumbada se perde.
- Mangue
- Vegetação de raízes aéreas em água salobra, nas margens dos estuários. Ponto de robalo.
- Maré de quadratura
- Maré de menor amplitude, nas luas crescente e minguante: a água corre menos.
- Maré de sizígia
- Maré de maior amplitude, nas luas nova e cheia: preamar mais alta, baixa-mar mais baixa e correnteza mais forte.
- Minnow
- Isca alongada com barbela que imita um peixinho nadando.
- Modelo global (de tempo)
- Programa que simula a atmosfera do planeta inteiro e calcula o tempo das próximas horas e dias. O app cruza três: o europeu ECMWF, o americano GFS e uma seleção de alta resolução.
- Molinete
- Equipamento de carretel fixo: a linha sai pela frente sem o carretel girar. Fácil de usar e sem cabeleira.
- Monofilamento
- Linha de um só fio de náilon. Elástica, barata e fácil de dar nó.
- Multifilamento
- Linha trançada de vários fios de polietileno. Fina, forte e quase sem elasticidade; pede líder.
- Naufrágio
- Casco afundado que vira recife artificial e atrai peixe de fundo e de meia-água.
- Outrigger
- Hastes longas nas laterais do barco de corrico que abrem as linhas e permitem arrastar mais iscas sem embolar.
- Paraná (Amazônia)
- Braço de rio que se separa do leito principal e volta a ele mais adiante.
- Parcel
- Elevação rochosa ou de coral no fundo do mar, cercada de áreas mais fundas. Concentra peixe de fundo.
- Passadores
- Anéis ao longo da vara por onde a linha corre. Passador ruim ou trincado corta a linha.
- Paternoster
- Nome internacional do chicote: chumbada embaixo e anzóis em ramais acima.
- Pauleira
- Trecho com muito pau e tronco submerso, comum na Amazônia. Ponto de tucunaré e trairão.
- PE
- Numeração japonesa de diâmetro do multifilamento. PE 1,0 tem cerca de 0,165 mm.
- Pesca de espera
- Pesca com a vara parada no suporte e isca natural no fundo, esperando o peixe pegar.
- Pesque-e-solte
- Prática de devolver o peixe vivo à água logo após a captura. Em vários rios e para algumas espécies é obrigatória.
- Pesqueiro
- Lago comercial de pesca, também chamado pesque-pague. No mar e no rio, a palavra também significa ponto de pesca.
- Piloteiro
- Condutor do barco de pesca e guia local, que conhece os pontos e o rio.
- Piracema
- Migração reprodutiva de peixes rio acima na época das chuvas. Na maior parte das bacias do Centro-Sul, vai de novembro a fevereiro e coincide com o defeso.
- Poção
- Trecho mais fundo do rio, em geral em curvas ou abaixo de corredeiras. Concentra peixe na seca e no frio.
- Popper
- Isca de superfície de boca côncava que estala e espirra água a cada toque de vara.
- Popping
- Pesca no mar com iscas grandes de superfície (poppers e stickbaits) arremessadas para atum, olho-de-boi e xaréu.
- Potência (libragem)
- Faixa de resistência de linha e de peso de isca para a qual a vara foi feita, escrita no blank (ex.: 12–25 lb).
- Praia de rio
- Banco de areia que aparece na seca, comum na Amazônia e no Araguaia. Ponto de tucunaré de manhã e no fim da tarde.
- Preamar
- Nível mais alto da maré.
- Puçá
- Rede de mão com aro e cabo para embarcar o peixe.
- Rebojo
- Redemoinho ou água revolta atrás de pedras e curvas da corredeira. Ponto de caça do dourado.
- Relação de recolhimento
- Quantas voltas o carretel dá a cada volta da manivela (ex.: 7.1:1). Quanto maior, mais rápida a recolhida.
- Remanso
- Trecho de água mais calma ao lado ou atrás da correnteza, onde o peixe descansa.
- Repiquete
- Subida rápida e passageira do rio no meio da seca, por chuvas na cabeceira. Espalha o peixe e piora a pesca por alguns dias.
- Ressurgência
- Subida de água fria e rica em nutrientes do fundo para a superfície, como em Cabo Frio. Muda a temperatura e a pesca de uma hora para outra.
- Rodada
- Pesca de fundo em rio com o barco descendo à deriva e a isca natural arrastando no fundo, com contato constante com a chumbada. Clássica para pintado e cachara.
- Sarandi
- Arbusto de beira de rio que forma moitas dentro da água na cheia, comum no Pantanal e nas bacias do Paraná e do Uruguai. Abrigo de peixe e de isca.
- Seca
- Período de água baixa. O peixe se concentra no rio, nos lagos e nos poços; costuma ser a melhor época para os predadores.
- Shad
- Isca macia em forma de peixinho, com rabo em pá que vibra ao nadar.
- Shock leader
- Trecho de mono grosso na ponta da linha da pesca de praia, que absorve o tranco do arremesso com chumbo pesado.
- Side imaging
- Imagem de sonar que varre as laterais do barco e mostra uma faixa larga do fundo.
- Simulação (conjunto)
- Cada uma das 31 versões do modelo GEFS, rodadas com pequenas diferenças no ponto de partida. Se 20 das 31 preveem chuva, a chance de chuva é de cerca de 65%. Não confundir com rodada, a técnica de pesca.
- Slow pitch
- Estilo de jigging com puxadas curtas e lentas em que o jig, largo e achatado, planeia na queda. O peixe ataca enquanto ele cai.
- Snap
- Presilha de abrir e fechar para trocar iscas artificiais rápido.
- Soft
- Isca artificial macia, de silicone ou plástico, como shad, grub, worm e camarão.
- Solunar
- Teoria de John Alden Knight (1926): o peixe come mais quando a lua passa a pino ou sob os pés (períodos maiores, cerca de 2 h) e quando nasce ou se põe (menores, cerca de 1 h). No app é um fator entre vários, não a previsão inteira.
- Sonar
- Aparelho que emite som na água e lê o eco para mostrar profundidade, tipo de fundo, estrutura e peixe.
- Sonar ao vivo
- Sonar que mostra em tempo real, como vídeo, o peixe e a isca à frente ou embaixo do barco.
- Speed jigging
- Jigging vertical com puxões rápidos e recolhimento contínuo, usando jigs longos de metal.
- Split ring
- Argola dupla em espiral que prende garatéias e anzóis à isca.
- Strip
- Recolher a linha de fly puxando com a mão. A fisgada com puxada de linha (strip set) é a padrão para tucunaré e dourado.
- Surf casting
- Pesca de praia com vara longa e chumbada pesada arremessada além da arrebentação.
- Tábua de marés
- Tabela com horários e alturas de preamar e baixa-mar de cada local e dia.
- Talude
- Borda da plataforma continental, onde o fundo cai rápido para grandes profundidades. Área de peixes oceânicos.
- Tamanho mínimo
- Menor comprimento permitido para abater uma espécie; peixe abaixo dele deve ser solto. Algumas espécies também têm tamanho máximo.
- Tarrafa
- Rede circular de arremesso usada para pegar isca. O uso é regulado e proibido em vários locais e épocas.
- Teaser
- Isca sem anzol arrastada no corrico para atrair o peixe de bico para perto das iscas com anzol.
- Tendência (previsão)
- Além de 16 dias não dá para prever hora a hora. A tendência mostra o rumo provável de temperatura, chuva e frente fria a partir de 31 simulações do modelo americano GEFS. Confirme quando faltar 1 semana.
- Termoclina
- Camada em que a temperatura da água cai rápido com a profundidade. Em represas, a água abaixo dela costuma ter pouco oxigênio, e o peixe fica acima ou nela.
- Tippet
- Ponta fina e trocável do leader de fly, onde se amarra a mosca. Numerada em X: quanto maior o número, mais fino.
- Vala
- Canal mais fundo entre bancos de areia na praia, por onde o peixe passa para comer.
- Várzea
- Planície que alaga na cheia às margens dos rios. Na Amazônia, é a área inundada pelos rios de água barrenta, rica em lagos.
- Vazante (maré)
- Maré baixando. No rio, a descida do nível da água depois da cheia.
- Vazante (Pantanal)
- Faixa larga e rasa de campo que conduz água entre baías e rios na cheia. A palavra também nomeia a época em que a água começa a baixar.
- Voadeira
- Barco de alumínio com motor de popa, usado na pesca e no transporte na Amazônia.
- WF (weight forward)
- Perfil de linha de fly com o peso concentrado na frente. É o mais usado.
- Zara
- Isca de superfície sem barbela que anda em zigue-zague com toques de ponta de vara (walking the dog).