primeiros socorros na pescaria
O que fazer com anzol cravado, ferroada de arraia e de bagre, mordida de piranha, corte de linha, queimadura de sol, calor excessivo e afogamento. Não substitui curso de primeiros socorros nem atendimento médico.
antes de tudo
Garanta a sua segurança e a do grupo antes de ajudar. Em caso grave, peça ajuda cedo: SAMU 192, Bombeiros 193 e, no mar, Marinha 185. Em lugar remoto, o hospital pode estar a horas de distância. Na dúvida, comece a voltar.
dicas
- Saiba onde fica o kit de primeiros socorros do barco e o que tem nele.
- Lave ferimentos com água potável ou soro fisiológico, não com água do rio ou do mar.
- Vacina antitetânica: reforço a cada 10 anos. Em ferimento sujo ou profundo, procure atendimento se a última dose tiver mais de 5 anos.
- Faça um curso de primeiros socorros. Treino faz diferença na hora.
anzol cravado
Anzol com farpa não sai pelo caminho de entrada se você só puxar. A técnica do fio serve para anzóis pequenos e médios cravados de forma superficial em parte carnuda, como dedo, mão, braço ou perna.
NÃO tente retirar se o anzol estiver no olho ou perto dele, no rosto, na orelha, no pescoço ou nos genitais; perto de vaso sanguíneo grande; sobre articulação ou tendão; muito profundo; se for anzol grande ou garatéia com várias farpas cravadas; ou se houver sangramento forte, dormência ou perda de movimento. Nesses casos, corte a linha, imobilize o anzol com gaze e fita para ele não mexer e procure atendimento médico.
- Corte a linha e solte a isca. Se for garatéia, corte com alicate as pontas que não estão cravadas.
- Todos por perto de óculos: o anzol pode voar.
- Apoie a parte atingida numa superfície firme.
- Passe um pedaço de linha forte (monofilamento grosso ou cordão) pela curva do anzol e enrole as pontas na mão.
- Com um dedo, pressione a haste do anzol, perto do olho, contra a pele. Isso desencaixa a farpa.
- Mantendo a pressão, dê um puxão rápido e firme no fio, na linha da haste, no sentido contrário ao da ponta.
- Lave bem com água limpa e sabão e cubra com curativo limpo.
- Procure atendimento se surgir vermelhidão que aumenta, calor, pus ou febre, ou se a vacina antitetânica não estiver em dia.
dicas
- Anzol no olho: não puxe, não aperte e não deixe a pessoa esfregar. Cubra o olho com um copo plástico ou cone de papel preso com fita, sem encostar no anzol, e vá ao hospital. Se a pessoa tolerar, cubra também o outro olho, para reduzir o movimento.
- Na dúvida, não tente.
erros comuns
- Empurrar o anzol para atravessar a pele sem saber o que há embaixo.
- Cortar a pele com faca para soltar a farpa.
ferroada de arraia
A arraia de água doce é comum nos rios da Amazônia, do Pantanal e da bacia do Paraná, enterrada na areia do raso. O ferrão serrilhado causa dor muito forte, e a ferida costuma inflamar, infeccionar e pode necrosar. Toda ferroada de arraia deve ser avaliada por um médico.
- Tire a pessoa da água e deixe-a sentada ou deitada, com a parte atingida em repouso.
- Lave com bastante água limpa para remover areia e restos visíveis.
- Mergulhe a parte atingida em água quente, o mais quente que a pessoa tolere sem se queimar (em geral, perto de 40 a 45 °C), por 30 a 90 minutos, renovando a água para manter o calor. O calor alivia a dor.
- Teste a temperatura com a mão de outra pessoa ou com a mão não atingida. Cuidado redobrado com crianças, idosos, diabéticos e quem tem a sensibilidade diminuída: queimam fácil.
- Não corte, não chupe, não faça torniquete e não ponha gelo, querosene, urina, pó de café ou qualquer outra substância.
- Não tente arrancar ferrão ou pedaço grande cravado fundo: deixe para o médico.
- Cubra com curativo limpo e procure atendimento médico, mesmo que a dor melhore.
dicas
- Falta de ar, inchaço no rosto, desmaio ou ferroada no peito ou na barriga: ligue 192 imediatamente.
- Prevenção: no raso de areia, ande arrastando os pés, sem passos largos. A arraia sente a vibração e se afasta.
ferroada de bagre e mandi
Bagres, mandis, jundiás e outros peixes de couro têm esporões serrilhados nas nadadeiras do peito e das costas, alguns com veneno. A ferroada dói muito, pode deixar pedaço de esporão e infecciona com facilidade, principalmente a de bagre do mar.
- Lave com água limpa e sabão.
- Retire com pinça limpa apenas fragmentos visíveis e superficiais.
- Mergulhe em água quente tolerável por 30 a 90 minutos, com os mesmos cuidados da ferroada de arraia.
- Cubra com curativo limpo.
- Procure atendimento se a dor não ceder, se houver pedaço de esporão cravado, ou se aparecer inchaço que aumenta, vermelhidão, pus ou febre.
dicas
- Prevenção: segure o bagre por trás dos esporões do peito, com luva ou pano, e solte o anzol com alicate.
- Bagre morto também fere. Cuidado ao limpar.
mordida de piranha e corte com multifilamento
A piranha corta como lâmina, e o multifilamento esticado também. Os dois cortes sangram bastante.
- Comprima o ferimento com pano limpo ou gaze, com força, por 10 minutos, sem soltar para espiar.
- Se possível, eleve a parte atingida acima do nível do coração.
- Lave com água potável e cubra com curativo limpo.
- Corte pequeno e raso pode ser fechado com curativo adesivo.
- Procure atendimento se o sangramento não parar, se o corte for fundo ou ficar aberto, se pegar articulação ou se a pessoa não mexer bem o dedo.
- Sangramento forte que não para com compressão: ligue 192 e mantenha a pressão.
dicas
- Nunca enrole multifilamento no dedo ou na mão para soltar enrosco. Enrole a linha num pedaço de madeira ou use luva.
- Tire o anzol de piranha, traíra, cachorra e bicuda com alicate, com os dedos longe da boca.
sol e calor
Na água, o sol vem de cima e reflete de baixo. Queimadura e calor excessivo derrubam mais pescadores do que peixe bravo.
dicas
- Prevenção: protetor solar FPS 30 ou mais, reaplicado a cada 2 horas e depois de suar ou se molhar; chapéu de aba, camisa UV de manga longa, buff e óculos; água o dia todo; sombra nas horas mais quentes.
- Queimadura solar: saia do sol, resfrie com compressa ou banho de água fria (sem gelo direto), hidrate a pele e beba água. Não estoure bolhas. Procure atendimento se houver bolhas em área grande, febre, calafrio, vômito ou confusão.
- Exaustão pelo calor: suor intenso, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, pele fria e úmida. Leve para a sombra, afrouxe as roupas, resfrie com água e dê água ou soro de reidratação aos goles. Se não melhorar em 30 minutos, ou piorar, procure atendimento.
- Insolação (intermação): pele muito quente, confusão, comportamento estranho, desmaio ou convulsão. É emergência. Ligue 192 e comece a resfriar já: o melhor é pôr o corpo em água fresca, com a cabeça fora e a pessoa sempre segura. Se não der, molhe o corpo todo e abane, e ponha gelo ou compressas frias no pescoço, nas axilas e nas virilhas. Não dê líquido a quem está confuso ou desacordado.
afogamento
Afogamento é rápido e silencioso. Quem está se afogando quase nunca grita nem acena.
- Peça ajuda e ligue 193 (Bombeiros) ou 192 (SAMU).
- Não pule na água sem treinamento e sem flutuador. Jogue algo que boie (colete, caixa térmica fechada, galão vazio) ou estenda vara, remo ou corda.
- De barco, chegue com o motor em neutro e desligue-o perto da vítima, para a hélice não ferir.
- Fora da água, deite a pessoa de costas em lugar firme e veja se ela responde e se respira normalmente.
- Se respira: coloque-a deitada de lado (posição lateral de segurança), aqueça e vigie até chegar ajuda.
- Se não respira normalmente: comece a reanimação. Em afogamento, quem é treinado faz 5 ventilações boca a boca e depois ciclos de 30 compressões para 2 ventilações. Sem treino, ou sem conseguir ventilar, faça só compressões, sem parar.
- Compressões no centro do peito, com 5 a 6 cm de profundidade, 100 a 120 por minuto, deixando o peito voltar. Continue até a pessoa reagir ou o socorro assumir.
- Não tente tirar água dos pulmões, não vire de cabeça para baixo e não aperte a barriga. Se vomitar, vire de lado e limpe a boca.
- Toda vítima que precisou de reanimação, ou que teve tosse persistente, espuma na boca ou falta de ar, precisa ir ao hospital, mesmo que pareça bem.
checklist
Marque o que já está pronto. Fica salvo neste aparelho.
Emergência: SAMU 192 · Bombeiros 193 · Marinha (salvamento) 185. Este guia não substitui atendimento médico.
fontes e referências
- oficial Ministério da Saúde — Acidentes por animais peçonhentosInclui arraias e bagres entre os animais que podem causar acidentes graves e orienta chamar o SAMU 192 ou os Bombeiros (193) e procurar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica.
- científica Gammons, M.; Jackson, E. (2001). Fishhook Removal. American Family Physician 63(11): 2231–2237.Técnicas de retirada de anzol, incluindo a do fio (string-yank).
- científica Haddad Junior, V. (2003). Animais aquáticos de importância médica no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 36(5): 591–597.
- científica Szpilman, D.; Bierens, J. J. L. M.; Handley, A. J.; Orlowski, J. P. (2012). Drowning. New England Journal of Medicine 366(22): 2102–2110.
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