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catálogo Gymnotidae · predador

tuvira

Gymnotus carapo

Água doce

A isca viva mais usada no Pantanal para pintado, cachara e dourado. Peixe-faca listrado, que respira ar e vive no meio do aguapé.

Também chamado de: tuvira, sarapó, morenita, carapó, ituí, tuí

Ilustração científica de Tuvira
tamanho comum
15–35 cm
máximo
76 cm
peso comum
0,0–0,3 kg
recorde/máx.
1,2 kg
profundidade
0,1–2 m
água ideal
22–28 °C
visão geral

quem é a tuvira

Peixe elétrico fraco, da mesma ordem do poraquê, que usa descargas de baixa voltagem para se orientar e se comunicar, sem risco para as pessoas. Vive em águas calmas e turvas, no meio de aguapés e capim alagado, respira ar quando falta oxigênio e sobrevive em poças que secam. Come à noite minhocas, insetos, camarões e peixes pequenos, e o macho cuida dos ovos e das larvas. O nome Gymnotus carapo cobre um complexo de espécies muito parecidas: no Pantanal, a tuvira vendida como isca inclui outras do gênero, como G. inaequilabiatus e G. paraguensis, citadas na norma de MS. No campo, todas são tuvira. A captura comercial é atividade de pescadores profissionais licenciados, com tamanho mínimo, e levar tuvira de uma bacia para usar em outra espalha espécies onde elas não existiam.

curiosidades

  • Cada tuvira tem uma 'assinatura' elétrica: a FishBase cita estudos em que ela distingue um vizinho conhecido de um estranho só pela descarga.
  • Nada tão bem para trás quanto para frente, movendo só a nadadeira anal.
como reconhecer

identificação

Corpo comprido e achatado dos lados, como uma faca, sem nadadeiras dorsal e pélvicas e sem cauda: uma nadadeira anal longa corre por baixo do corpo e faz o peixe andar para frente e para trás. Marrom a acinzentada, com faixas oblíquas claras e escuras alternadas. Boca e olhos pequenos. O poraquê é muito maior, roliço e sem faixas; o mussum é roliço e não tem a nadadeira anal longa.

como está a pesca de tuvira

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Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Do sul do México ao Paraguai e ao Uruguai, incluindo Trinidad, considerando o complexo carapo. No Brasil, há tuviras em quase todas as bacias; no alto Paraná (Paranaíba, em GO), espécies do Pantanal levadas como isca já são tratadas como alóctones.

Habitat: Baías, corixos, brejos, lagoas e beiras de rio com aguapé e capim alagado; água turva e parada.

nativa nas bacias

AmazônicaTocantins-AraguaiaAtlântico Nordeste OcidentalParnaíbaAtlântico Nordeste OrientalSão FranciscoAtlântico LesteAtlântico SudesteParanáParaguai (Pantanal)UruguaiAtlântico Sul

estados

Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Tocantins, Rondônia

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: mai–set
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Aparece o ano todo. Em MS, a captura comercial por isqueiros fecha na piracema e reabre a partir de 20 de fevereiro.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Noturno. Ativa à noite; de dia fica escondida nas raízes do aguapé.

clima, água e comportamento

o que mexe com a tuvira
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Frio reduz a atividade.

pressão atmosférica

Pouco efeito.

lua

Pouco efeito conhecido.

chuva

Pouco efeito.

nível da água

Na seca fica em poças e baías, mais fácil de achar; na cheia se espalha pelo campo alagado.

barulho

Pouco sensível.

vento

Pouco efeito.

profundidade

Raso, entre as raízes da vegetação flutuante.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
caniço de bambu ou telescópico de 2 a 3 m
molinete / carretilha
dispensável
linha
monofilamento 0,20 a 0,25 mm
líder
dispensável
anzol
nº 10 a 14

iscas naturais

  • minhoca
  • pedaço de camarão

acessórios

  • balde com aguapé e água trocada para manter as iscas vivas

dica de quem pesca

Como isca, passe o anzol pela boca ou atravessado na parte de trás do corpo, sem atingir a espinha: a tuvira fica viva e se mexe muito. Use só tuvira da mesma bacia em que vai pescar.

o que a lei diz

regras para a tuvira

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional de espécies ameaçadas (Portaria GM/MMA nº 1.667/2026).

MS: captura comercial de isca só por profissional

pescador profissional licenciado; amador sem tarrafa ou redeMSParaguai (Pantanal)Paraná

Em MS, a captura de tuvira como isca viva para venda só pode ser feita por pescador profissional habilitado, com autorização do Imasul e guia de transporte. O pescador amador e o ribeirinho não podem usar tarrafa nem petrecho de malha para pegar isca. A captura é proibida a menos de 200 m de cachoeiras, corredeiras, nascentes e confluências e a menos de 1.000 m de barragens e ninhais. Na piracema, a captura comercial de iscas só reabre a partir de 20 de fevereiro.

Fonte: Lei estadual MS nº 2.898/2004, art. 3º; Resolução SEMAC nº 3/2011, arts. 3º e 6º; Decreto estadual MS nº 15.166/2019, art. 11, § 4º

PR: tamanho mínimo da morenita

20 cmPRParanáAtlântico Sudeste

No Paraná, a morenita (Gymnotus sylvius e G. inaequilabiatus) capturada na natureza, inclusive para isca, deve ter pelo menos 20 cm. Isca de criatório licenciado, com nota, está dispensada do tamanho.

Fonte: Portaria IAT nº 650/2025, art. 14, II, e Anexo I

GO e PR: proibido usar isca viva de outra bacia

isca viva só de espécie nativa da baciaGOPR

Em Goiás, usar como isca viva espécie alóctone ou exótica da bacia é considerado soltura ou introdução de fauna e é proibido; a norma já lista tuviras do Pantanal como alóctones no Paranaíba. No Paraná, é vedado usar na pesca organismos vivos não nativos da área da portaria.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, art. 7º, § 6º, e Anexo II; Portaria IAT-PR nº 650/2025, art. 6º, § 4º, e art. 14, V

piracemas das bacias onde a espécie vive

Piracema da bacia do rio Paraná

01/11 a 28/02SPPRMGGOMSDF

Permitido: Pesca amadora só de espécies não nativas e híbridos (tucunaré, tilápia, black bass, carpa, corvina etc.; o piauçu continua proibido), com linha de mão, caniço ou vara com molinete/carretilha, até 10 kg + 1 exemplar. Nos rios, só desembarcada; nos reservatórios, embarcada ou desembarcada. Proibido: lagoas marginais, isca de animal aquático, até 1.500 m de barragens e cachoeiras e até 500 m de confluências. Torneio só em reservatório e só com não nativas.

Fonte: IN IBAMA nº 25/2009

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema do Pantanal em Mato Grosso do Sul

05/11 a 28/02MS

Permitido: Pesca de subsistência de ribeirinhos e pesca científica autorizada. O Decreto 15.166/2019 (art. 11, §5º) admite pesque-e-solte só em fevereiro e só nas calhas dos rios Paraguai e Paraná. No resto do período não há nem pesque-e-solte. Confirme a portaria do Imasul de cada temporada.

Fonte: Decreto estadual MS nº 15.166/2019, art. 11; IN IBAMA nº 201/2008

Piracema em Mato Grosso (todas as bacias)

01/10 a 31/01MT

Permitido: Todas as modalidades de pesca ficam proibidas nos rios, inclusive o pesque-e-solte (Lei 9.096/2009, art. 19-A). Exceções: subsistência desembarcada (3 kg ou 1 exemplar, sem transporte nem venda) e pesca científica. A Lei 13.159/2025 passou a admitir pesca desportiva licenciada em reservatórios de UHE/PCH, lagos naturais e rios de divisa, condicionada a estudo científico e a licença do órgão ambiental. Não confirmamos se essas licenças já são emitidas.

Fonte: IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017; Resolução Cepesca-MT nº 1/2026; Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A e 27 (Leis 12.434/2024 e 13.159/2025)

Piracema da bacia do rio Araguaia

01/11 a 28/02GOTOPAMT

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com linha de mão, vara ou molinete/carretilha. O pescado só pode ser consumido no local, sem transporte. Competições proibidas. Subsistência: 3 kg + 1 exemplar. Regras estaduais (GO e TO) podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2011

Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi

01/11 a 28/02TOPAMAGO

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com consumo no local. Subsistência: 5 kg + 1 exemplar. Regras estaduais podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 13/2011

Piracema da bacia do rio São Francisco (rios e reservatórios)

01/11 a 28/02MGBAPEALSEGODF

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão, vara, molinete ou carretilha, até 5 kg + 1 exemplar. Proibido pescar até 1.000 m de barragens, cachoeiras e corredeiras e até 500 m de confluências. Lagoas marginais têm defeso maior (veja o item seguinte).

Fonte: Portaria IBAMA nº 50/2007

São Francisco: lagoas marginais

01/11 a 30/04MGBAPEALSEGODF

Permitido: Nenhuma pesca nas lagoas marginais durante o período.

Fonte: Portaria IBAMA nº 50/2007

Piracema da bacia do rio Uruguai

01/10 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora desembarcada, ou embarcada em barco sem motor. Só linha de mão ou vara, linha e anzol, um petrecho por pescador, até 5 kg. Proibido pescar em lagoas marginais, até 1.500 m de barragens, até 500 m de confluências e em trechos listados na norma (ex.: rio Turvo).

Fonte: IN IBAMA nº 193/2008

Piracema das bacias do Sul (RS e SC, fora do Uruguai)

01/11 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada, com anzol simples, um petrecho por pescador, até 5 kg.

Fonte: IN IBAMA nº 197/2008

Piracema das bacias do Sudeste

01/11 a 28/02ESMGRJSPPR

Permitido: Nos rios, só pesca desembarcada; nos reservatórios, embarcada ou desembarcada. Só espécies não nativas, híbridos e camarão-gigante-da-malásia, até 10 kg + 1 exemplar. Proibido em lagoas marginais e até 1.000 m de barragens.

Fonte: IN IBAMA nº 195/2008

Piracema das bacias do Leste

01/11 a 28/02BAESMGSE

Permitido: Mesmas regras das bacias do Sudeste: só espécies não nativas e híbridos, até 10 kg + 1 exemplar; nos rios, só desembarcada.

Fonte: IN IBAMA nº 196/2008

Piracema da bacia do rio Parnaíba

15/11 a 16/03PIMACE

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão, vara, molinete ou carretilha, até 5 kg + 1 exemplar por dia. Proibido pescar até 1.500 m de barragens, cachoeiras e corredeiras. Campeonatos proibidos.

Fonte: IN MMA nº 40/2005

Defeso nas bacias do Maranhão

01/12 a 30/03MA

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão ou vara, até 5 kg ou 1 exemplar. Transporte só dentro do município. Campeonatos proibidos.

Fonte: Portaria IBAMA nº 85/2003

Defeso nas bacias do Ceará

01/02 a 30/04CE

Permitido: A pesca amadora com linha de mão ou vara fica fora da proibição.

Fonte: Portaria IBAMA nº 04/2008

Defeso nos rios da Ilha de Marajó (PA)

01/01 a 30/04PA

Permitido: Mesmas exceções do amador previstas na Portaria 48/2007 (linha de mão ou vara, 5 kg + 1 exemplar), salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Defeso da bacia Amazônica no Amapá

15/11 a 15/03AP

Permitido: Amador com linha de mão ou vara, linha e anzol fica fora das proibições do Anexo II, com cota de 5 kg + 1 exemplar, salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Rios de divisa MT/RO e MT/PA

05/11 a 28/02MTROPA

Permitido: Veja as exceções da Portaria 48/2007 e as regras estaduais de cada margem.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Isca que sobrar deve voltar ao mesmo lugar de onde veio, nunca a outra bacia.

na cozinha

Não é peixe de consumo; o uso é como isca.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.00372, b = 2.93; FishBase). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Gymnotus carapo (ficha da espécie)Distribuição ampla (sul do México ao Paraguai), biologia, relação peso-comprimento e lista de países, considerando o conceito amplo da espécie. Página conferida em 13/10/2026.
  2. científica IUCN Red List — Gymnotus carapo (avaliação global: Pouco Preocupante, LC, 09/07/2018)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  3. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)A espécie não consta da lista (conferido no texto publicado no DOU de 28/04/2026, seção 1, p. 96).
  4. oficial Resolução SEMAC-MS nº 3/2011 (com a redação da Resolução SEMAC nº 22/2011) — captura, transporte, comércio e cultivo de iscas vivas em MSTamanhos mínimos das iscas vivas, captura comercial só por pescador profissional, distâncias e petrechos permitidos. Texto do Imasul conferido em 13/10/2026.
  5. oficial Lei estadual MS nº 2.898/2004 — iscas vivasCaptura de iscas vivas só por pescador profissional habilitado; proibida abaixo do tamanho e na reprodução; no Alto Paraguai, só iscas nativas da bacia. Página conferida em 13/10/2026.
  6. oficial Decreto estadual MS nº 15.166/2019 — pesca em Mato Grosso do SulArt. 11, § 4º: captura comercial de iscas vivas pode começar a partir de 20 de fevereiro. Página conferida em 13/10/2026.
  7. oficial IEF-MG — Tamanhos mínimos de captura de peixes (Portaria IEF nº 111/2003)Sarapó, tuvira (Gymnotus carapo): 30 cm. Página conferida em 13/10/2026.
  8. oficial Portaria IAT nº 650/2025 — pesca nas bacias interiores do ParanáAnexo I (morenita, 20 cm) e regras de iscas (arts. 6º e 14). Página conferida em 13/10/2026.
  9. oficial IN Semad-GO nº 17/2026 — normas de pesca em GoiásArt. 7º, § 6º, e Anexo II (Gymnotus paraguensis e G. pantanal alóctones no Paranaíba, via canal de piracema e isca viva). Página conferida em 13/10/2026.
não confunda

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