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catálogo Triakidae · predador

cação-bico-doce (cazón)

Galeorhinus galeus

Marlista nacional: CR · criticamente em perigo

Cação esguio de focinho translúcido, que migra entre o Sul do Brasil e a Argentina. Criticamente em Perigo no Brasil. Na Argentina é o cazón, de devolução obrigatória na pesca esportiva.

Também chamado de: cação-bico-doce, cação-bico-de-cristal, bico-de-cristal, tubarão-vitamínico, cazón

Ilustração científica de Cação-bico-doce (cazón)
tamanho comum
100–160 cm
máximo
195 cm
peso comum
6–25 kg
recorde/máx.
44,7 kg
profundidade
2–471 m
água ideal
12–18 °C
visão geral

quem é o cação-bico-doce (cazón)

O cação-bico-doce, também chamado de bico-de-cristal, vive em águas temperadas do mundo todo, da costa à plataforma. No Atlântico Sul forma uma única população que se desloca entre o Sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina, onde as fêmeas prenhes aparecem nas baías costeiras. Cresce devagar, pode viver mais de 50 anos e as fêmeas só têm filhotes a cada poucos anos. Foi muito pescado no século 20, inclusive pelo óleo do fígado, rico em vitamina A, e as pescarias locais praticamente sumiram. Hoje é Criticamente em Perigo no Brasil e no mundo. Na Argentina, o cazón é pescado da praia e de barco, sempre com devolução obrigatória.

curiosidades

  • O nome 'tiburón vitamínico' vem da pesca pelo óleo do fígado, rico em vitamina A, em meados do século 20.
  • Pode passar dos 50 anos de vida.
  • No Atlântico Sul é uma só população, que migra entre o Brasil, o Uruguai e a Argentina.
como reconhecer

identificação

Corpo esguio, cinza-azulado a pardo no dorso e branco na barriga, sem pintas. Focinho longo, pontudo e translúcido, olhos grandes e ovais. Segunda dorsal pequena, do tamanho da anal. A marca registrada é a cauda: o lobo de cima termina num lóbulo grande e destacado, quase uma segunda cauda. O cação-malhado (Mustelus) tem as duas dorsais quase iguais; o nome 'bico-doce' também é usado para cações Mustelus e para o tubarão-azul.

como está a pesca de cação-bico-doce (cazón)

Carregando os próximos 7 dias…

Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

No Brasil, do Sul a São Paulo, sobretudo no Rio Grande do Sul. No Atlântico Sul ocidental, população única entre o Sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina (costa bonaerense, Bahía Anegada, golfos norpatagônicos). Também no Pacífico, no Chile, Peru, Equador e México.

Habitat: Plataforma continental e águas costeiras, perto do fundo; baías rasas na época de parto.

litoral

Costa SudesteCosta Sulcosteiroplataforma

estados

São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: nov–fev
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Estimativa: na Argentina aparece perto da costa na primavera e no verão; no Sul do Brasil, a presença é maior nos meses frios, acompanhando a migração da população. Informação biológica: no Brasil a captura é proibida o ano todo.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Noite e crepúsculo. Da praia, o cazón pega mais no fim da tarde e à noite.

clima, água e comportamento

o que mexe com o cação-bico-doce (cazón)
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Espécie de água temperada e fria; migra com a temperatura.

pressão atmosférica

Frentes frias trazem mar grosso que encerra a pesca de praia.

lua

Noites escuras costumam render mais da praia.

chuva

Pouco relevante.

nível da água

Não se aplica no mar.

barulho

Pouco conhecido.

vento

Mar grosso impede a pesca de praia.

maré

Maré enchendo à noite é a combinação clássica de praia.

profundidade

Geralmente de 2 a cerca de 470 m; perto da costa no verão argentino.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
praia: 13' a 14'; embarcado: 6' a 7', 30 a 50 lb
molinete / carretilha
molinete grande de arremesso ou carretilha 4/0
linha
monofilamento de no mínimo 0,70 mm (exigência em Buenos Aires para tubarões)
líder
cabo de aço 50 cm a 1 m
anzol
circle 12/0 a 14/0 com a farpa rebaixada (exigência em Buenos Aires); um só anzol

iscas naturais

  • filé ou posta de peixe (pescadilla, lisa, cavalinha), onde a pesca com devolução é permitida

acessórios

  • boia-tope a 25 cm do anzol
  • alicate de corte
  • desanzolador longo

dica de quem pesca

No Brasil a captura é proibida. Na Argentina é devolução obrigatória: o cazón é frágil, então solte rápido, sem tirar da água.

o que a lei diz

regras para o cação-bico-doce (cazón)

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Captura proibida em todo o Brasil. Global: Criticamente em Perigo (IUCN, 14/02/2020).

Espécie ameaçada (CR): captura proibida no Brasil

captura, transporte, guarda e comércio proibidos

O cação-bico-doce (Galeorhinus galeus) está na lista nacional como Criticamente em Perigo (CR) (já constava da lista anterior, Portaria MMA 148/2022). A Portaria GM/MMA 1.666/2026 (art. 3º) proíbe captura, transporte, armazenamento, guarda, beneficiamento e comércio em todo o Brasil. Quem fisgar por acaso deve soltar o animal vivo no ato (art. 3º, § 4º). A norma não autoriza pesca dirigida, nem com soltura: no Brasil, não procure esta espécie.

Fonte: Portaria GM/MMA nº 1.667/2026 (lista, CR) e Portaria GM/MMA nº 1.666/2026, art. 3º (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima)

Finning proibido: tubarão só inteiro, com as nadadeiras

nadadeiras naturalmente aderidas ao corpo

No Brasil é proibido o finning (cortar as nadadeiras e descartar o corpo). Todo tubarão ou raia desembarcado deve chegar com as nadadeiras presas ao corpo; é proibido transportar a bordo animal sem nadadeiras ou nadadeiras soltas e transferir tubarões entre embarcações. Vale para qualquer tubarão que possa ser retido.

Fonte: Instrução Normativa Interministerial MPA/MMA nº 14, de 26/11/2012, art. 3º (Ministério da Pesca e Aquicultura e Ministério do Meio Ambiente)

Buenos Aires (AR): devolução obrigatória dos grandes tubarões costeiros

devolução obrigatória; proibido sacrificar

Na costa marítima da província de Buenos Aires (e nos estuários do Prata e de Bahía Blanca e em Mar Chiquita), escalandrún, bacota, gatopardo, cazón e tubarões-martelo são 'pesca dirigida com reserva': devolução obrigatória, sacrifício proibido também na captura acidental. Regras de equipamento: uma vara por pescador embarcado e duas na costa, aparejo de um só anzol (proibido anzol em tandem), anzol circular ou de fácil degradação 12/0 a 14/0 com a farpa rebaixada; recomenda-se boia-tope a 25 cm do anzol nas linhas de fundo e linha de náilon de no mínimo 0,70 mm. Bicheiro é proibido. Tire o anzol só se não houver risco; senão corte a linha perto do anzol, evitando tirar o tubarão da água. Entre Pehuén-Có e a foz do rio Negro (inclui o estuário de Bahía Blanca, a Bahía Anegada e San Blas) vigora ainda uma veda permanente para a pesca artesanal e comercial de escalandrún, bacota, gatopardo e cazón (Disposição 55/2008).

Fonte: Disposição nº 217/2007 (arts. 6º, 7º, 14, 15 e 19), Direção de Desenvolvimento Pesqueiro, Ministério de Assuntos Agrários da Província de Buenos Aires

Río Negro (AR): devolução obrigatória (Lei 5.706/2023)

devolução obrigatória; proibido sacrificar

Na pesca esportiva marítima da província de Río Negro (golfo San Matías, El Cóndor, Bahía Creek), o cazón (Galeorhinus galeus) está no regime de proteção diferenciada: captura com sacrifício proibida e devolução obrigatória. Na pesca embarcada dirigida a tubarões, um só anzol por linha (proibidos tandem e anzol galvanizado tipo tartuna), anzol 'J' com a farpa limada ou amassada, ou anzol circular. Exemplar a bordo só com autorização científica.

Fonte: Lei provincial nº 5.706 de Río Negro (sancionada em 07/12/2023, B.O. 26/12/2023), arts. 13, 20, 21 e 24 — Legislatura de Río Negro; autoridade: Subsecretaria de Pesca

México: no máximo 1 tubarão por pescador por dia

1 exemplar por pescador por dia (vale por 5 na cota de 10)

Na pesca esportivo-recreativa em águas marinhas mexicanas, o limite para tubarões é de um exemplar por pescador por dia, que conta como cinco no limite total de dez peixes. O pescado da pesca esportiva não pode ser vendido. Captura e soltura não entram no limite: prefira soltar.

Fonte: NOM-017-PESC-1994 (pesca deportivo-recreativa), modificação publicada no DOF, item 4.9.1 b (Sagarpa/Conapesca)

Tubarões e raias ameaçados: captura proibida

Costa NorteCosta NordesteCosta SudesteCosta Sul

Muitos tubarões e raias estão na lista nacional (CR, EN ou VU), com captura, retenção e transporte proibidos, entre eles os listados aqui. Espécies que entraram na lista só em 2026 seguem o prazo de 180 dias (até ~25/10/2026). Na dúvida sobre a espécie, solte.

Fonte: Portaria GM/MMA nº 1.666/2026 (art. 3º) e nº 1.667/2026 (Anexo I)

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

No Brasil, só soltura de captura acidental. Onde a devolução é obrigatória: deixe na água, corte a linha perto do anzol se não sair fácil e solte em poucos minutos, sem tocar nas guelras.

na cozinha

Captura e comércio proibidos no Brasil; na Argentina, sacrifício proibido na pesca esportiva.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.00479, b = 2.99; FishBase (estimativa bayesiana para a espécie, comprimento total)). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Os meses indicam a época em que o pescador costuma encontrar a espécie perto da costa, não uma temporada de captura. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Galeorhinus galeus (ficha da espécie)Nomes, distribuição, biologia, relação peso-comprimento, lista de países e referências. Página conferida em 13/10/2026.
  2. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)A espécie consta da lista como CR (conferido no texto publicado no DOU de 28/04/2026, seção 1, p. 96).
  3. oficial Portaria GM/MMA nº 1.666, de 27 de abril de 2026 — regras de proteção das espécies ameaçadas da lista nacionalArt. 3º: proteção integral das espécies VU, EN e CR; § 4º: captura incidental com liberação imediata do animal vivo. A regra de transição de 180 dias para as espécies novas na lista foi conferida em resumos oficiais (Fiperj) e técnicos; a página do DOU não abriu na conferência.
  4. oficial Fiperj — Peixes cartilaginosos marinhos ameaçados de extinção (Portarias GM/MMA 1.666 e 1.667/2026), atualizado em 11/05/2026Cartaz da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro com nomes populares, categorias e a data de aplicação das alterações (27/10/2026).
  5. oficial ICMBio/SALVE — Ficha de Galeorhinus galeus (avaliação nacional do risco de extinção)Avaliação nacional do ICMBio, publicada em 2025. DOI conferido no Crossref; o texto da ficha não abriu na conferência.
  6. científica IUCN Red List — Galeorhinus galeus (avaliação global: Criticamente em Perigo, CR, 14/02/2020)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  7. científica Compagno, L. J. V. (1984). FAO species catalogue. Vol. 4. Sharks of the world. Part 2 — Carcharhiniformes. FAO Fisheries Synopsis 125(4/2): 251-655. Roma: FAO.
  8. científica Lucifora, L. O.; Menni, R. C.; Escalante, A. H. (2004). Reproductive biology of the school shark, Galeorhinus galeus, off Argentina: support for a single south western Atlantic population with synchronized migratory movements. Environmental Biology of Fishes 71: 199-209.DOI conferido no Crossref.
  9. oficial Província de Buenos Aires — Disposição nº 217/2007 (regulamento da pesca esportiva marítima)Texto oficial no site da Direção de Pesca bonaerense, conferido em 13/10/2026. Os considerandos citam a importância da baía Anegada para escalandrún, bacota, gatopardo e cazón.
  10. oficial Província de Buenos Aires / INIDEP — folheto 'Tiburones: buenas prácticas de pesca deportiva' (2020)Resume as Disposições 217/07 e 78/14 e as boas práticas de soltura.
  11. oficial Río Negro — Lei provincial nº 5.706/2023 (pesca esportiva marítima)Texto da Legislatura de Río Negro, conferido em 13/10/2026. Em janeiro de 2026 a lei ainda aguardava regulamentação, segundo a WCS Argentina.
  12. técnica WCS Argentina — Conservar Tiburones en Argentina: pesca com marcação e devolução (notícias de 2022, 2023 e 2026)Projeto de ciência cidadã com pescadores esportivos (anzóis circulares, marcação e soltura) de Buenos Aires, Río Negro, Chubut e Santa Cruz.
  13. oficial Instrução Normativa Interministerial MPA/MMA nº 14, de 26 de novembro de 2012 — desembarque, transporte, armazenamento e comércio de tubarões e raias (proibição do finning)Texto do Sislegis/MAPA (DOU de 28/11/2012), conferido em 13/10/2026.
  14. oficial México — Modificación a la NOM-017-PESC-1994 (pesca deportivo-recreativa), DOFTexto oficial no Diário Oficial da Federação; item 4.9.1 conferido em 13/10/2026.
não confunda

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