pescada-gó
Macrodon ancylodon
A pescadinha dentuça do Norte e do Nordeste. Vive em fundo de lama perto da costa e da boca dos rios; é a irmã tropical da pescada-foguete do Sul.
Também chamado de: pescada-gó, gó, pescada-dente-de-cachorro, pescada-dentuça, pescadinha, corvina-gó
- tamanho comum
- 20–35 cm
- máximo
- 53 cm
- peso comum
- 0,1–0,4 kg
- recorde/máx.
- 1,5 kg
- profundidade
- 1–30 m
- água ideal
- 26–30 °C
quem é a pescada-gó
A pescada-gó é uma pescada pequena e alongada, de boca grande e caninos fortes, muito importante na pesca artesanal do Amapá ao Maranhão. Até 2010 o nome Macrodon ancylodon valia para todas as pescadinhas desse tipo, da Venezuela à Argentina. Com a revalidação de Macrodon atricauda, ele ficou só para a forma tropical, que vai da Venezuela à Bahia; do Espírito Santo para baixo a espécie é a pescada-foguete. Vive sobre fundos de lama e areia lamosa, da beira até uns 60 m, e os jovens são abundantes em estuários e planícies de maré. Come camarões e peixes pequenos. É pescada de barco e de beira de estuário, com camarão.
curiosidades
- Até 2010 a pescada-gó e a pescada-foguete do Sul eram tratadas como uma espécie só.
- Macrodon vem do grego e quer dizer 'dentes grandes', por causa dos caninos.
identificação
Corpo alongado e prateado, dorso pardo-acinzentado, boca grande e oblíqua com caninos fortes nas duas maxilas e cauda pontuda, em forma de lança. Separar da pescada-foguete do Sul pelo aspecto é difícil: a gó tem mais escamas com poro na linha lateral (66 a 78, contra 49 a 63) e caninos proporcionalmente maiores. Na prática, a região resolve: do Amapá à Bahia é a gó; do Espírito Santo para baixo, a foguete.
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onde tem
Do Amapá à Bahia, mais abundante na costa norte (Amapá, Pará e Maranhão), em fundos de lama sob influência dos grandes rios. Fora do Brasil, das Guianas à Venezuela e às ilhas do Caribe sul. Os registros antigos do Sul e do Rio da Prata são da pescada-foguete.
Habitat: Fundos de lama e areia lamosa perto da costa, boca de rios, baías e canais de estuário; jovens em planícies de maré.
litoral
estados
Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia
quando pescar
melhor época
Pescada o ano todo. Na costa norte, a estiagem do segundo semestre deixa a água dos estuários mais salgada e clara, o que concentra as pescadas nos canais.
melhor horário
Noite e crepúsculo. Encosta na beira e nos canais no fim da tarde e à noite; de dia morde melhor de barco, sobre poços e canais.
o que mexe com a pescada-gó
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.
frio e frente fria
Pouco efeito na costa tropical.
pressão atmosférica
Mudança de tempo com ventania atrapalha mais pelo mar do que pelo peixe.
lua
Marés grandes de lua nova e cheia mexem o fundo e costumam ativar a pescada.
chuva
Chuvarada que deixa a água muito doce na boca do rio empurra a pescada para fora.
nível da água
Na costa amazônica, a cheia dos rios afasta a água salgada; na estiagem ela entra e traz a pescada para dentro.
barulho
Pouco sensível em água turva; em canal raso, evite motor ligado sobre o ponto.
vento
Vento forte com maré contra levanta onda curta e atrapalha a pesca embarcada.
maré
Depende muito da maré: pesque a enchente e as primeiras horas da vazante.
profundidade
De 1 a 15 m nos estuários e na beira; um pouco mais fundo de barco.
como pescar
- vara
- 6'0" a 7'0", 8 a 20 lb (barco) ou 3,0 a 3,9 m (beira e praia)
- molinete / carretilha
- molinete 2500 a 4000
- linha
- monofilamento 0,25 a 0,30 mm ou multifilamento 12 a 20 lb
- líder
- monofilamento 0,35 a 0,45 mm (os dentes cortam linha fina)
- anzol
- wide gap ou maruseigo 1 a 2/0
iscas artificiais
- shad pequeno em jig head de 7 a 14 g
iscas naturais
- camarão
- camarão vivo
- peixe pequeno em tiras
acessórios
- chumbo oliva ou de fundo de 30 a 80 g
- alicate de bico
dica de quem pesca
Pesque a maré em movimento nos canais e nas curvas de rio perto da boca: a pescada-gó acompanha a água salgada que entra com a enchente.
regras para a pescada-gó
Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional (Portaria GM/MMA 1.667/2026). O tamanho mínimo de 25 cm da IN MMA 53/2005 para 'pescadinha (Macrodon ancylodon)' vale só do ES ao RS, onde a espécie hoje é a pescada-foguete; para o Norte e o Nordeste não localizamos tamanho mínimo federal.
Não encontramos regra específica para esta espécie além das regras gerais da região.
pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.
Pescadas morrem fácil fora d'água. Se for soltar um pequeno, faça rápido e sem apertar a barriga, usando alicate para tirar o anzol.
na cozinha
Carne branca, macia e de sabor suave; frita em filé ou inteira e muito usada em caldeiradas no Norte.
quanto pesa sem tirar da água
Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.00776, b = 3.06; FishBase (estimativa bayesiana, comprimento total); peso máximo calculado por esta relação). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.
peso estimado
—
fontes e referências
Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.
- científica FishBase — Macrodon ancylodon (ficha da espécie)Nomes, distribuição, biologia, relação peso-comprimento, lista de países e referências. Página conferida em 13/10/2026. O texto de distribuição do FishBase ainda inclui o Sul e a Argentina, área hoje atribuída a M. atricauda, e por isso Uruguai e Argentina ficaram fora da lista de países. O peso máximo publicado (109,6 g) é incompatível com o tamanho máximo e não foi usado.
- oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)Lista nacional mais recente. A espécie não consta dela (busca pelo nome científico no texto publicado no DOU, conferida em 13/10/2026).
- oficial ICMBio/SALVE — Ficha de Macrodon ancylodon (avaliação nacional do risco de extinção)Avaliação nacional do risco de extinção feita pelo ICMBio, publicada em 2025. DOI conferido no Crossref.
- científica IUCN Red List — Macrodon ancylodon (avaliação global: Pouco Preocupante, LC, 30/07/2019)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
- científica Carvalho-Filho, A.; Santos, S.; Sampaio, I. (2010). Macrodon atricauda (Günther, 1880) (Perciformes: Sciaenidae), a valid species from the southwestern Atlantic, with comments on its conservation. Zootaxa 2519: 48–58.Revalidação de M. atricauda e caracteres que separam as duas espécies (escamas da linha lateral, raios e caninos). Obra impressa; a URL é o registro bibliográfico no FishBase.
- oficial Instrução Normativa MMA nº 53, de 22 de novembro de 2005 — tamanho mínimo de captura de espécies marinhas e estuarinas do litoral Sudeste e SulReprodução do texto publicado no DOU de 24/11/2005, conferida em 13/10/2026. Anexos I e II. O Anexo II cita 'pescadinha (Macrodon ancylodon)', 25 cm, com validade só do ES ao RS.