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catálogo Mugilidae · onívoro

tainha

Mugil liza

EstuárioMar

Peixe da tradição no Sul e Sudeste. A corrida de maio a julho, com o frio, movimenta praias, cerco e arrasto de praia.

Também chamado de: tainha, tainha-verdadeira, curimã (Nordeste), tainhota (jovem), tainha-de-corso

Ilustração científica de Tainha
tamanho comum
40–60 cm
máximo
80 cm
peso comum
0,8–2,5 kg
recorde/máx.
5,0 kg
profundidade
0,5–30 m
água ideal
18–24 °C
visão geral

quem é a tainha

A tainha é o peixe da tradição no litoral Sul e Sudeste. Vive em estuários e lagoas costeiras comendo lodo, algas e detritos do fundo e, no outono e inverno, faz a 'corrida': cardumes enormes saem da Lagoa dos Patos e do estuário do Prata com as frentes frias e sobem a costa para desovar no mar, entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. É quando acontecem o arrasto de praia com vigia no morro, o cerco e o movimento nas praias. Para o amador, rende com massa, pão e engodo em píeres, canais e beira de rio, e com tarrafa onde é permitido. Tem boca pequena e mole: pede anzol pequeno e fisgada leve.

curiosidades

  • O arrasto de praia em Santa Catarina usa o 'olheiro' no morro, que avisa o cardume com gritos e gestos.
  • Come lodo e diatomáceas do fundo e tem moela, como uma ave.
  • Antes era chamada Mugil platanus no Sul; hoje é tratada como Mugil liza.
como reconhecer

identificação

Corpo roliço e robusto, cabeça larga e achatada por cima, boca pequena sem dentes visíveis, pálpebra adiposa grossa sobre o olho e duas dorsais bem separadas. Dorso cinza-azulado com 6 a 7 listras escuras ao longo dos flancos. Diferença para o parati: a tainha é maior, tem listras nítidas e anal com 8 raios moles; o parati quase não tem listras, tem mancha dourada no opérculo e dorsal mole e anal cobertas de escamas.

como está a pesca de tainha

Carregando os próximos 7 dias…

Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Todo o litoral brasileiro. O grande estoque migratório está no Sul e Sudeste: cria-se na Lagoa dos Patos (RS) e no estuário do Prata e desova no mar entre RS, SC, PR e SP, de maio a julho. No Norte e Nordeste é conhecida como curimã.

Habitat: Estuários, lagoas costeiras, canais de mangue, rios de maré, píeres, praias e barras.

nativa nas bacias

Atlântico SudesteAtlântico Sul

litoral

Costa NorteCosta NordesteCosta SudesteCosta Sulcosteiro

estados

Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: mai–jul
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Corrida da tainha de maio a julho no Sul e Sudeste, com pico em junho, empurrada pelas frentes frias. No resto do ano a pesca é de estuário, com peixes menores. No Nordeste a curimã é pescada o ano todo. A temporada comercial e as cotas mudam todo ano por portaria.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Diurno. Ativa de dia. A corrida passa nas praias principalmente pela manhã, com vento sul. Em píeres e canais morde mais nas primeiras horas e no fim da tarde.

clima, água e comportamento

o que mexe com a tainha
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Ao contrário da maioria, o frio ajuda: cada frente fria empurra novos cardumes para o norte. Calor fora de época atrasa a corrida.

pressão atmosférica

A passagem da frente fria, com vento sul e pressão subindo, é o gatilho dos cardumes na praia.

lua

Pescadores tradicionais associam luas de maré grande à saída dos cardumes das lagoas; efeito moderado.

chuva

Chuva forte suja a água do estuário, mas não para a tainha, que é tolerante.

nível da água

Lagoas e estuários cheios e água mais salgada favorecem a permanência; enxurrada empurra a tainha para a barra.

barulho

Cardume na praia é muito sensível a barulho e sombra: arrasto de praia exige silêncio e olheiro.

vento

Vento sul traz a corrida; vento nordeste por vários dias segura os cardumes ao largo.

maré

Na enchente entra em canais, gamboas e beira de rio para comer no lodo; na vazante desce para a barra. Pesque com a água se mexendo; no estofo a ceva se espalha e ela dispersa. Nas desembocaduras, a saída de cardume para o mar acontece com a vazante.

profundidade

Superfície e meia-água em cardume; no estuário, fundo raso de 0,5 a 3 m.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
2,1 a 3,0 m, leve e sensível; caniço de bambu em píer
molinete / carretilha
molinete 2000 a 3000
linha
monofilamento 0,25 a 0,30 mm
líder
monofilamento 0,25 a 0,30 mm, 50 cm
anzol
anzol pequeno nº 8 a 12, tipo maruseigo ou chinu

iscas artificiais

  • mosca de fly pequena imitando alga ou miolo de pão

iscas naturais

  • massa de pão com farinha de peixe
  • miolo de pão
  • filé pequeno de sardinha
  • camarão picado (estuário)

acessórios

  • engodo (ceva) de pão e sardinha moída
  • boia sensível
  • puçá

dica de quem pesca

Ceve pouco e sempre na corrente e use boia bem sensível. A tainha belisca leve e tem boca mole: fisgada curta e fricção macia.

o que a lei diz

regras para a tainha

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Fora da lista nacional de ameaçadas. Estoque do Sul e Sudeste gerido por cotas anuais por causa da sobrepesca.

Tamanho mínimo federal (35 cm) no Sudeste e Sul

35 cm (CT)ESRJSPPRSCRSCosta SudesteCosta Sul

Proibido pescar, manter a bordo ou desembarcar tainha menor que 35 cm de comprimento total no litoral de ES, RJ, SP, PR, SC e RS.

Fonte: Instrução Normativa MMA nº 53/2005 (Anexo II), MMA

Proibição nas desembocaduras estuarino-lagunares

todas as modalidades, exceto tarrafa15/03 a 15/08ESRJSPPRSCRSCosta SudesteCosta Sulconfirme no órgão

No litoral Sudeste e Sul é proibida qualquer modalidade de pesca nas desembocaduras de estuários e lagoas (1.000 m para fora da barra, 200 m para dentro e 1.000 m nas margens adjacentes) de 15/03 a 15/08; a tarrafa é exceção. Compilações estaduais citam fim em 15/09 após o Plano de Gestão de 2015: confirme o período vigente.

Fonte: Instrução Normativa Ibama nº 171/2008 (art. 2º)

Santa Catarina: restrições perto do arrasto de praia

1º/05 a 30/0701/05 a 30/07SCCosta Sulconfirme no órgão

Em SC, de 1º de maio a 30 de julho, vários petrechos (emalhe, isca viva, tarrafa e outros) são proibidos a menos de 800 m de praias licenciadas para arrasto de praia e a menos de 300 m de costões. Confira a lista de petrechos e alterações (IN Ibama 13/2009).

Fonte: Instrução Normativa Ibama nº 171/2008 (art. 6º)

Safra 2026: cotas por modalidade

limite global de captura por safraESRJSPPRSCRSCosta SudesteCosta Sul

Para 2026, a pesca comercial da tainha no Sudeste e Sul foi ordenada com limite global e cotas por modalidade (cerco, emalhe anilhado, emalhe costeiro, arrasto de praia e Lagoa dos Patos), com alterações durante a safra. As regras são publicadas a cada ano: confira a portaria da safra vigente.

Fonte: Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026

Tainha: desembocaduras estuarino-lagunares do Sudeste e Sul

15/03 a 15/08ESRJSPPRSCRSCosta SudesteCosta Sulconfirme no órgão

Proíbe todas as modalidades de pesca nas desembocaduras estuarino-lagunares do Sudeste e do Sul: até 1.000 m mar adentro, 200 m rio acima e 1.000 m pelas margens. Lagoas e estuários com norma própria ficam de fora. A temporada da tainha no mar aberto é regulada por portarias anuais para a frota comercial.

Fonte: IN IBAMA nº 171/2008, art. 2º

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Peixe de escama solta e muco frágil: molhe as mãos, segure pouco e devolva rápido. Tainha ovada solta ajuda a corrida do ano seguinte.

na cozinha

Assada na brasa, na taquara ou recheada com farofa, tradição de inverno no Sul. Ova seca ou defumada (botarga) é iguaria.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.01047, b = 2.95; FishBase (estimativa bayesiana, comprimento total)). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Mugil liza (ficha da espécie)Nomes, distribuição, biologia, relação peso-comprimento e referências. Página conferida em 13/10/2026.
  2. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)Lista nacional mais recente. A espécie não consta dela (busca pelo nome científico no texto publicado no DOU, conferida em 13/10/2026).
  3. oficial ICMBio/SALVE — Ficha de Mugil liza (avaliação nacional do risco de extinção)Avaliação nacional do ICMBio, publicada em 2026. DOI conferido no Crossref.
  4. científica IUCN Red List — Mugil liza (avaliação global: Dados Insuficientes, DD, 05/12/2018)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  5. científica Menezes, N. A.; Oliveira, C.; Nirchio, M. (2010). An old taxonomic dilemma: the identity of the western south Atlantic lebranche mullet (Teleostei: Perciformes: Mugilidae). Zootaxa 2519: 59–68.Define Mugil liza como o nome válido da tainha do Atlântico Sul ocidental.
  6. científica Menezes, N. A.; Nirchio, M.; Oliveira, C.; Siccha-Ramirez, R. (2015). Taxonomic review of the species of Mugil (Teleostei: Perciformes: Mugilidae) from the Atlantic South Caribbean and South America, with integration of morphological, cytogenetic and molecular data. Zootaxa 3918(1): 1–38.
  7. científica Menezes, N. A.; Figueiredo, J. L. (1985). Manual de peixes marinhos do sudeste do Brasil. V. Teleostei (4). São Paulo: Museu de Zoologia da USP. 105 p.Trata a tainha como Mugil platanus (sinônimo). Obra impressa; a URL é o registro bibliográfico no FishBase, que cita esta obra para a espécie.
não confunda

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