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catálogo Erythrinidae · predador

traíra

Hoplias malabaricus

Água doce

A predadora de lagoa e açude presente em quase todo o Brasil. Ataque explosivo no sapinho de superfície entre o aguapé.

Também chamado de: traíra, taraíra, traíra-comum

Ilustração científica de Traíra
tamanho comum
25–45 cm
máximo
65 cm
peso comum
0,3–2 kg
recorde/máx.
3,8 kg
profundidade
0,2–3 m
água ideal
22–30 °C
visão geral

quem é a traíra

Predadora de emboscada, fica parada no raso entre plantas e ataca qualquer coisa que se mexa: peixes, rãs, insetos grandes. Vive em lagoas, açudes, brejos, represas e remansos de rio, inclusive em água pobre em oxigênio. É das pescarias mais populares do Brasil. Na superfície, com sapinho de borracha ou hélice no meio do aguapé, o ataque é explosivo. Tem dentes fortes e corta linha fina. Aguenta muito tempo fora d'água, então manuseie com calma e solte bem. É nativa de quase todas as bacias.

curiosidades

  • Respira bem em água pobre em oxigênio e resiste horas fora d'água em ambiente úmido.
  • O macho guarda os ovos e os filhotes no ninho.
como reconhecer

identificação

Corpo cilíndrico, marrom-oliva com manchas escuras irregulares e ventre amarelado. Cabeça grande, boca enorme com dentes caninos. Listras escuras saindo do olho. Não tem nadadeira adiposa e a cauda é arredondada. O trairão é amazônico e bem maior. O jundiá não tem escamas e tem barbilhões.

como está a pesca de traíra

Carregando os próximos 7 dias…

Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Presente em praticamente todas as bacias do Brasil: lagoas, açudes, represas, brejos e remansos de rio.

Habitat: Água parada e rasa com vegetação: aguapé, taboa, capim submerso, galhadas, beiras de açude e de represa.

nativa nas bacias

ParanáParaguai (Pantanal)UruguaiSão FranciscoAtlântico SulAtlântico SudesteAtlântico LesteAtlântico Nordeste OrientalParnaíbaAtlântico Nordeste OcidentalTocantins-AraguaiaAmazônica

estados

São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Pará, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: out–mar
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Primavera e verão, com água quente. No inverno fica lenta, principalmente no Sul.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Noite e crepúsculo. Mais ativa ao anoitecer, à noite e ao amanhecer. De dia ataca no sombreado da vegetação.

clima, água e comportamento

o que mexe com a traíra
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Água abaixo de 18 °C deixa a traíra quase parada.

pressão atmosférica

Dias abafados antes de chuva costumam ser ótimos.

lua

Efeito pequeno; noites quentes rendem mais.

chuva

Chuva fina de verão ativa a superfície.

nível da água

Açude cheio com vegetação alagada espalha o peixe; nível baixando concentra.

barulho

Ande devagar na margem; pisada forte espanta.

vento

Vento forte atrapalha a isca de superfície.

profundidade

Raso, 0,2 a 1,5 m.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
5'6" a 6', ação rápida, 10 a 25 lb
molinete / carretilha
carretilha de perfil baixo 100 ou molinete 2500
linha
multifilamento 20 a 30 lb
líder
fluorocarbono 30 a 40 lb ou cabo de aço fino
anzol
2/0 a 4/0 offset para iscas anti-enrosco

iscas artificiais

  • sapinho de borracha (frog)
  • hélice
  • zara pequena
  • spinnerbait
  • minhoca de silicone com anzol offset

iscas naturais

  • lambari vivo
  • minhocuçu
  • pedaço de peixe

acessórios

  • alicate de bico longo
  • boga pequena

dica de quem pesca

Sapinho anti-enrosco por cima do aguapé. Na explosão, espere um segundo a traíra virar a isca e só então ferre.

o que a lei diz

regras para a traíra

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Hoplias malabaricus é um complexo de espécies; a taxonomia está em revisão.

piracemas das bacias onde a espécie vive

Piracema da bacia do rio Paraná

01/11 a 28/02SPPRMGGOMSDF

Permitido: Pesca amadora só de espécies não nativas e híbridos (tucunaré, tilápia, black bass, carpa, corvina etc.; o piauçu continua proibido), com linha de mão, caniço ou vara com molinete/carretilha, até 10 kg + 1 exemplar. Nos rios, só desembarcada; nos reservatórios, embarcada ou desembarcada. Proibido: lagoas marginais, isca de animal aquático, até 1.500 m de barragens e cachoeiras e até 500 m de confluências. Torneio só em reservatório e só com não nativas.

Fonte: IN IBAMA nº 25/2009

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema do Pantanal em Mato Grosso do Sul

05/11 a 28/02MS

Permitido: Pesca de subsistência de ribeirinhos e pesca científica autorizada. O Decreto 15.166/2019 (art. 11, §5º) admite pesque-e-solte só em fevereiro e só nas calhas dos rios Paraguai e Paraná. No resto do período não há nem pesque-e-solte. Confirme a portaria do Imasul de cada temporada.

Fonte: Decreto estadual MS nº 15.166/2019, art. 11; IN IBAMA nº 201/2008

Piracema em Mato Grosso (todas as bacias)

01/10 a 31/01MT

Permitido: Todas as modalidades de pesca ficam proibidas nos rios, inclusive o pesque-e-solte (Lei 9.096/2009, art. 19-A). Exceções: subsistência desembarcada (3 kg ou 1 exemplar, sem transporte nem venda) e pesca científica. A Lei 13.159/2025 passou a admitir pesca desportiva licenciada em reservatórios de UHE/PCH, lagos naturais e rios de divisa, condicionada a estudo científico e a licença do órgão ambiental. Não confirmamos se essas licenças já são emitidas.

Fonte: IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017; Resolução Cepesca-MT nº 1/2026; Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A e 27 (Leis 12.434/2024 e 13.159/2025)

Piracema da bacia do rio Araguaia

01/11 a 28/02GOTOPAMT

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com linha de mão, vara ou molinete/carretilha. O pescado só pode ser consumido no local, sem transporte. Competições proibidas. Subsistência: 3 kg + 1 exemplar. Regras estaduais (GO e TO) podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2011

Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi

01/11 a 28/02TOPAMAGO

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com consumo no local. Subsistência: 5 kg + 1 exemplar. Regras estaduais podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 13/2011

Piracema da bacia do rio São Francisco (rios e reservatórios)

01/11 a 28/02MGBAPEALSEGODF

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão, vara, molinete ou carretilha, até 5 kg + 1 exemplar. Proibido pescar até 1.000 m de barragens, cachoeiras e corredeiras e até 500 m de confluências. Lagoas marginais têm defeso maior (veja o item seguinte).

Fonte: Portaria IBAMA nº 50/2007

São Francisco: lagoas marginais

01/11 a 30/04MGBAPEALSEGODF

Permitido: Nenhuma pesca nas lagoas marginais durante o período.

Fonte: Portaria IBAMA nº 50/2007

Piracema da bacia do rio Uruguai

01/10 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora desembarcada, ou embarcada em barco sem motor. Só linha de mão ou vara, linha e anzol, um petrecho por pescador, até 5 kg. Proibido pescar em lagoas marginais, até 1.500 m de barragens, até 500 m de confluências e em trechos listados na norma (ex.: rio Turvo).

Fonte: IN IBAMA nº 193/2008

Piracema das bacias do Sul (RS e SC, fora do Uruguai)

01/11 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada, com anzol simples, um petrecho por pescador, até 5 kg.

Fonte: IN IBAMA nº 197/2008

Piracema das bacias do Sudeste

01/11 a 28/02ESMGRJSPPR

Permitido: Nos rios, só pesca desembarcada; nos reservatórios, embarcada ou desembarcada. Só espécies não nativas, híbridos e camarão-gigante-da-malásia, até 10 kg + 1 exemplar. Proibido em lagoas marginais e até 1.000 m de barragens.

Fonte: IN IBAMA nº 195/2008

Piracema das bacias do Leste

01/11 a 28/02BAESMGSE

Permitido: Mesmas regras das bacias do Sudeste: só espécies não nativas e híbridos, até 10 kg + 1 exemplar; nos rios, só desembarcada.

Fonte: IN IBAMA nº 196/2008

Piracema da bacia do rio Parnaíba

15/11 a 16/03PIMACE

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão, vara, molinete ou carretilha, até 5 kg + 1 exemplar por dia. Proibido pescar até 1.500 m de barragens, cachoeiras e corredeiras. Campeonatos proibidos.

Fonte: IN MMA nº 40/2005

Defeso nas bacias do Maranhão

01/12 a 30/03MA

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão ou vara, até 5 kg ou 1 exemplar. Transporte só dentro do município. Campeonatos proibidos.

Fonte: Portaria IBAMA nº 85/2003

Defeso nas bacias do Ceará

01/02 a 30/04CE

Permitido: A pesca amadora com linha de mão ou vara fica fora da proibição.

Fonte: Portaria IBAMA nº 04/2008

Defeso nos rios da Ilha de Marajó (PA)

01/01 a 30/04PA

Permitido: Mesmas exceções do amador previstas na Portaria 48/2007 (linha de mão ou vara, 5 kg + 1 exemplar), salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Defeso da bacia Amazônica no Amapá

15/11 a 15/03AP

Permitido: Amador com linha de mão ou vara, linha e anzol fica fora das proibições do Anexo II, com cota de 5 kg + 1 exemplar, salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Rios de divisa MT/RO e MT/PA

05/11 a 28/02MTROPA

Permitido: Veja as exceções da Portaria 48/2007 e as regras estaduais de cada margem.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Dentes afiados: alicate sempre. Não aperte a barriga. Solte na vegetação, onde ela se esconde.

na cozinha

Carne branca e saborosa, mas cheia de espinhas em Y. Frita em postas bem riscadas ou em filé sem espinha.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.00891, b = 3.1; FishBase). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Hoplias malabaricus (ficha da espécie)Nomes, distribuição, biologia, relação peso-comprimento e referências. Página conferida em 13/10/2026.
  2. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)Lista nacional mais recente. A espécie não consta dela (busca pelo nome científico no texto publicado no DOU, conferida em 13/10/2026).
  3. oficial ICMBio/SALVE — Ficha de Hoplias malabaricus (avaliação nacional do risco de extinção)Avaliação nacional do ICMBio, publicada em 2023. DOI conferido no Crossref.
  4. científica IUCN Red List — Hoplias malabaricus (avaliação global: Pouco Preocupante, LC, 15/04/2019)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  5. científica Britski, H. A.; Silimon, K. Z. S.; Lopes, B. S. (2007). Peixes do Pantanal: manual de identificação. 2ª ed. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica. 227 p.Obra impressa; a URL é o registro bibliográfico no FishBase, que cita esta obra para a espécie.
  6. científica Oyakawa, O. T. (2003). Erythrinidae (trahiras). In: Reis, R. E.; Kullander, S. O.; Ferraris Jr., C. J. (orgs.). Check List of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, p. 238–240.Capítulo de livro impresso; a URL é o registro bibliográfico no FishBase, que cita o capítulo para a espécie.
  7. científica Ota, R. R.; Deprá, G. C.; Graça, W. J.; Pavanelli, C. S. (2018). Peixes da planície de inundação do alto rio Paraná e áreas adjacentes: revised, annotated and updated. Neotropical Ichthyology 16(2): e170094.Lista comentada das espécies do alto rio Paraná, com indicação de nativas e não nativas. Acesso aberto; nome da espécie conferido no texto.
não confunda

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