Pular para o conteúdo
previsão de pesca

tainha-olhalvo (lisa)

Mugil cephalus · Mugilidae · detritívoro

EstuárioMar

Tainha cosmopolita de pálpebra adiposa grossa, que vive em estuários, lagoas e manguezais e sobe rios. Pasta lodo e algas em cardumes, belisca massa e pão e salta quando é fisgada.

Também chamado de: tainha-olhalvo, lisa, tainha, flathead grey mullet, striped mullet

silhueta do formato do corpo · ilustração em breve
tamanho comum
30–50 cm
máximo
100 cm
peso comum
0,2–1,2 kg
recorde/máx.
— kg
profundidade
0–10 m
água ideal
18–26 °C
local
período

Lendo o tempo em 3 modelos globais e 31 simulações…

a espécie

tudo sobre a tainha-olhalvo (lisa)

visão geral

quem é a tainha-olhalvo (lisa)

A tainha-olhalvo, chamada de lisa nos países de língua espanhola, é uma das tainhas de distribuição mais ampla do planeta: ocorre em águas costeiras tropicais, subtropicais e temperadas de todos os mares. Vive em cardumes sobre fundos de areia e lama, quase sempre entre 0 e 10 m, e entra em estuários, lagoas, manguezais e até rios, às vezes bem longe da foz. Come de dia, de detritos, microalgas e pequenos organismos do fundo. Os adultos migram para o mar para desovar, e cada fêmea solta de 0,8 a 2,6 milhões de ovos. Amadurece aos 3 ou 4 anos e chega perto de 1 m. No Brasil a espécie é citada para o litoral, mas muitas tainhas pescadas aqui são a Mugil liza, tratada na ficha da tainha.

curiosidades

  • É uma das tainhas mais difundidas do mundo, em águas costeiras de todos os mares tropicais, subtropicais e temperados.
  • Cada fêmea solta de 0,8 a 2,6 milhões de ovos no mar, e as larvas voltam para a costa para crescer em águas protegidas.
  • Não tem fase obrigatória em água doce, mas sobe rios e entra em lagoas muito salgadas.
como reconhecer

identificação

Corpo robusto e roliço, cabeça larga e achatada por cima, boca pequena sem dentes visíveis e pálpebra adiposa grossa que cobre boa parte do olho. Duas dorsais bem separadas, a primeira mais perto do focinho que da cauda; escamas na base da segunda dorsal e da anal e uma escama alongada na axila da peitoral. Dorso cinza-azulado a oliváceo, flancos prateados com linhas escuras ao longo do corpo e ventre claro. Do parati (Mugil curema) separa-se pelo porte maior e pela falta da mancha dourada no opérculo. Da tainha (M. liza) só se separa contando escamas: na dúvida, siga as regras da tainha.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Cosmopolita em águas costeiras. No Atlântico ocidental vai da Nova Escócia ao Brasil, mas falta nas Bahamas e na maior parte das Antilhas; no Pacífico oriental, da Califórnia ao Chile. Na América Latina aparece no México, na América Central, na Colômbia, no Equador, no Peru, no Chile, em Trinidad e Tobago e na Guiana Francesa. No Brasil é citada ao longo do litoral, em estuários e lagoas, e sua separação da tainha (Mugil liza) é difícil.

Habitat: Estuários, lagoas costeiras, baías, manguezais e canais de maré com fundo de areia ou lama; entra em água doce e em lagoas muito salgadas. No mar, fica junto à costa.

litoral

Costa NorteCosta NordesteCosta SudesteCosta Sulcosteiro
calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: mai–ago
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Presente o ano todo em estuários e lagoas. O pico vem com o frio, quando os cardumes se juntam para desovar no mar (para a tainha do Sul, de maio a julho; no Golfo do México, a norma mexicana da lisa situa a corrida reprodutiva sobretudo no outono e no inverno).

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Diurno. Come sobretudo de dia, em cardumes que pastam o fundo e a superfície; as primeiras horas da manhã e o meio da tarde, com a água em movimento, costumam ser as melhores.

clima, água e comportamento

o que mexe com a tainha-olhalvo (lisa)
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Prefere água entre uns 18 e 26 °C. A queda brusca de temperatura derruba o beliscar, mas o frio de outono e inverno também reúne os cardumes para a desova.

pressão atmosférica

Frente fria com ventania suja a água e dispersa o cardume; depois que estabiliza, a pesca volta.

lua

Efeito pequeno. Marés de sizígia mexem o cardume e a corrente que ele segue.

chuva

Chuva fraca não atrapalha; enxurrada que derruba a salinidade e suja o estuário espalha o cardume.

nível da água

Não se aplica no mar. Em estuário e lagoa, a maré e a abertura da barra decidem onde o cardume entra e sai.

barulho

Arisca: passos no píer, sombra e barulho de remo fazem o cardume sumir. Ceva leve e silêncio.

vento

Vento forte levanta marola e suja a margem; vento leve, que só enruga a água, esconde o pescador.

maré

Entra em canais e lagoas na enchente e sai na vazante; pesque bocas e canais com a água em movimento.

profundidade

Raso: de 0 a 3 m na maior parte do tempo, pastando o fundo e a superfície.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
2,1 a 3,0 m, leve e sensível; caniço de bambu em píer
molinete / carretilha
molinete 2000 a 3000
linha
monofilamento 0,25 a 0,30 mm
líder
monofilamento 0,22 a 0,28 mm, 50 cm
anzol
anzol pequeno nº 8 a 12, tipo chinu ou maruseigo

iscas artificiais

  • mosca pequena imitando alga ou miolo de pão (fly)

iscas naturais

  • massa de pão com farinha de peixe
  • miolo de pão
  • alga filamentosa (limo)
  • camarão picado

acessórios

  • ceva (engodo) de pão e farelo
  • boia sensível
  • puçá

dica de quem pesca

Ceve pouco e sempre na corrente e use boia bem sensível. A boca é pequena e mole: fisgada curta e fricção macia.

o que a lei diz

regras para a tainha-olhalvo (lisa)

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional brasileira (Portaria GM/MMA nº 1.667/2026).

Tamanho mínimo de referência da tainha (35 cm) no Sudeste e Sul

35 cm (CT)ESRJSPPRSCRSCosta SudesteCosta Sulconfirme no órgão

A IN MMA 53/2005 (Anexo II) proíbe pescar, manter a bordo e desembarcar tainha com menos de 35 cm de comprimento total no litoral do ES ao RS. O anexo cita a tainha como Mugil platanus ou M. liza e não nomeia M. cephalus; como as duas se confundem no campo, use 35 cm como referência e solte o que for menor. A regra não vale para a pesca de arrasto.

Fonte: Instrução Normativa MMA nº 53/2005 (Anexo II), MMA

México: até 5 por espécie e 10 peixes marinhos por dia

5 exemplares da espécie por pescador por dia, dentro do limite de 10 peixes marinhos

Na pesca esportivo-recreativa em águas federais mexicanas, cada pescador pode reter até 10 peixes marinhos por dia, no máximo 5 da mesma espécie. A lisa não está entre as espécies com limite próprio (picudos, tubarões, pescada-gigante, sábalo, dorado, pez gallo e baya). O que passar da cota volta vivo à água, e o peixe da pesca esportiva não pode ser vendido. Pescar embarcado exige permiso, e a pesca esportiva fica proibida em zonas e épocas de veda.

Fonte: Modificação da NOM-017-PESC-1994 (pesca deportivo-recreativa em águas de jurisdição federal do México), assinada em 14/10/2013, itens 4.3, 4.9.1, 4.9.5, 4.10 e 4.11 (Sagarpa/Conapesca)

México: tamanho mínimo da lisa (30 cm) na norma da pesca comercial

30 cm (comprimento total)confirme no órgão

A NOM-016-SAG/PESC-2014 fixa 30 cm de comprimento total para a lisa (Mugil cephalus), no Golfo do México e Caribe e também no Pacífico e Golfo da Califórnia. A norma obriga os titulares de permisos e concessões de pesca comercial; a NOM-017, da pesca esportiva, remete tamanhos mínimos aos acordos da Secretaria. Como referência para quem pesca por esporte, solte a lisa menor que 30 cm.

Fonte: NOM-016-SAG/PESC-2014 (DOF de 29/07/2015), item 4.2

México: veda da lisa e da liseta no Golfo do México (Tamaulipas e norte de Veracruz)

1º a 31/12 e 1º a 28/02; na Laguna Madre, também 1º/09 a 10/11confirme no órgão

O aviso de vedas de 1994, na redação do acordo de 2015, proíbe a pesca da lisa (Mugil cephalus) e da liseta ou lebrancha (M. curema) de 1º a 31 de dezembro e de 1º a 28 de fevereiro no litoral de Tamaulipas e no norte de Veracruz, do rio Tuxpan ao rio Pánuco. Na Laguna Madre, em Tamaulipas, vale também o período de 1º de setembro a 10 de novembro. A NOM-017 proíbe a pesca esportiva em zonas e épocas de veda. Os períodos foram sendo ajustados (reportagem de 2024 cita uma janela de captura de 11 a 30 de novembro na Laguna Madre): confirme na Conapesca.

Fonte: Acordo que modifica o aviso de vedas de 16/03/1994 (Sagarpa, DOF de 16/10/2015), fração XIV; NOM-017-PESC-1994, item 4.10

Peru: tamanho mínimo da lisa de 32 cm

32 cm (comprimento total), tolerância de 15%

A Resolução Ministerial 361-2019-PRODUCE fixou em 32 cm de comprimento total o tamanho mínimo de captura da lisa (Mugil cephalus), com tolerância máxima de 15% de exemplares abaixo dele (antes eram 37 cm e 10%). A RM 209-2001-PE proíbe extrair, receber, transportar, processar e comercializar peixe marinho abaixo dos tamanhos do seu anexo. Para quem pesca por esporte, vale soltar o que estiver abaixo de 32 cm.

Fonte: Resolución Ministerial N° 361-2019-PRODUCE (El Peruano, 24/08/2019), que modifica o Anexo I da RM 209-2001-PE

Colômbia: tamanho mínimo da lisa de 25 cm (bacias do Magdalena, Cauca e San Jorge)

25 cm (comprimento padrão)confirme no órgão

A tabela de tamanhos mínimos vigentes da AUNAP para a bacia do Magdalena, Cauca e San Jorge traz a lisa (Mugil liza, M. incilis e M. cephalus) com 25 cm de comprimento padrão. A tabela é de 2018, reúne normas antigas do Inderena e não trata das águas marinhas. Confirme na AUNAP antes de reter peixe pequeno.

Fonte: AUNAP, Normatividad tallas mínimas vigentes (atualização de 08/08/2018), com base em acordos e resoluções do Inderena

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

O muco é frágil e a escama sai fácil: molhe as mãos, segure pouco e devolva logo. Anzol pequeno e sem farpa facilita a soltura.

na cozinha

Carne clara e saborosa, mais gorda no frio; vai à brasa, frita ou em ensopado. As ovas são vendidas frescas ou defumadas, e a espécie é cultivada em viveiros de água doce e salobra.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.01202, b = 2.94; FishBase (relação peso-comprimento bayesiana, estimativa da própria espécie)). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link. A faixa de profundidade de pesca, o tamanho comum e a faixa de temperatura ideal da água, quando a FishBase não traz o valor, são estimativas editoriais feitas a partir da biologia da espécie.

  1. científica FishBase: Mugil cephalus (ficha da espécie)Tamanho, peso-comprimento, profundidade, ambiente, distribuição, biologia e status da IUCN. Página conferida em 13/10/2026.
  2. científica FishBase: nomes populares de Mugil cephalusNomes por país e língua. O nome tainha-olhalvo foi adotado nesta ficha para separar a espécie da tainha (Mugil liza).
  3. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026: Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)A espécie não consta da lista. Conferido no DOU de 28/04/2026.
  4. oficial NOM-017-PESC-1994, Para regular las actividades de pesca deportivo-recreativa en las aguas de jurisdicción federal de los Estados Unidos Mexicanos (modificação de 2013)Limite diário de 10 peixes marinhos e 5 por espécie (item 4.9.1), devolução do excedente (4.9.5), vedas (4.10) e proibição de venda (4.11). Texto conferido no DOF em 13/10/2026.
  5. oficial NOM-016-SAG/PESC-2014, Para regular la pesca de lisa y liseta o lebrancha en aguas de jurisdicción federalEspécies da norma (lisa, Mugil cephalus, e liseta, M. curema), tamanhos mínimos (item 4.2) e biologia da corrida reprodutiva. Publicada no DOF em 29/07/2015; vale para quem tem permiso de pesca comercial.
  6. oficial Acordo que modifica o aviso de vedas de 16/03/1994 para a lisa e a liseta na Laguna Madre, Tamaulipas (DOF de 16/10/2015)Períodos de veda no litoral de Tamaulipas e norte de Veracruz. Os períodos da Laguna Madre foram ajustados depois (ver reportagem da Crónica de 02/11/2024); a versão vigente deve ser confirmada na Conapesca.
  7. oficial Instrução Normativa MMA nº 53/2005: tamanhos mínimos de captura no Sudeste e SulAnexo II: tainha (Mugil platanus ou M. liza), 35 cm de comprimento total. Não nomeia M. cephalus.
  8. oficial Resolución Ministerial N° 361-2019-PRODUCE: tamanho mínimo da lisa (Peru)Publicada no El Peruano em 24/08/2019. Fixa 32 cm de comprimento total e tolerância de 15%.
  9. oficial AUNAP (Colômbia): tallas mínimas vigentesTabela de agosto de 2018. A lisa (Mugil liza, M. incilis, M. cephalus) aparece na bacia do Magdalena, Cauca e San Jorge, com 25 cm de comprimento padrão.
  10. oficial Comissão Europeia: nomes comerciais de Mugil cephalus (código FAO MUF)Lista de nomes aceitos em Portugal, onde tainha-olhalvo designa a espécie. O nome foi adotado nesta ficha para separá-la da tainha brasileira (Mugil liza).
não confunda

espécies parecidas