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catálogo Bryconidae · onívoro

matrinchã

Brycon falcatus

Água doce

Prateada e brigadora, parente próxima da matrinxã, vive nos rios da Amazônia, do Orinoco e das Guianas. Come frutos, sementes, folhas, insetos e peixes, e sobe em iscas de superfície e de meia-água. Cuidado: 'piabanha' também é nome de espécies protegidas.

Também chamado de: matrinchã, matrinxã, piabanha

silhueta do formato do corpo · ilustração em breve
tamanho comum
28–42 cm
máximo
49 cm
peso comum
0,6–1,7 kg
recorde/máx.
4,4 kg
profundidade
0,5–5 m
água ideal
23–28 °C
visão geral

quem é a matrinchã

Peixe da família Bryconidae conhecido como matrinchã, matrinxã e piabanha. Vive em rios das bacias amazônica e do Orinoco e nos rios das Guianas, em pequenos cardumes. É onívoro: estudos no rio Negro, no Tocantins, na Amazônia colombiana e no Teles Pires registram frutos, sementes, flores, folhas, insetos, caranguejos e peixes, com a mata ciliar e a floresta alagada fornecendo parte do alimento. No Teles Pires (MT) a pesca com ceva de soja e milho é comum e muda o que o peixe come. Chega a 48,9 cm de comprimento padrão e 4,4 kg, mas o comum é de 28 a 42 cm e 0,6 a 1,7 kg. Rende briga forte com equipamento leve, de superfície e de meia-água.

curiosidades

  • Estudo no Teles Pires encontrou soja e milho como principais itens no estômago de peixes pescados em pontos com ceva.
  • No rio Cristalino, sem ceva, a dieta incluiu folhas, caranguejos, peixes, sementes, flores e frutos.
  • O nome matrinchã vale para várias espécies de Brycon, e por isso as normas costumam citar o gênero inteiro (Brycon spp.).
como reconhecer

identificação

Peixe prateado de corpo alongado e comprimido, com nadadeira adiposa e boca terminal com dentes de várias pontas, como os demais Brycon. As matrinxãs e matrinchãs se separam por contagens de escamas e raios e por detalhes de cor que mudam com a idade e a água; no campo, o mais seguro é pela região e por fotos de referência. Na dúvida com a piabanha-do-Araguaia (Brycon gouldingi), que é ameaçada e de captura proibida, solte o peixe.

como está a pesca de matrinchã

Carregando os próximos 7 dias…

Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Rios da bacia amazônica, como o Negro (AM) e o Teles Pires (MT), com registros no Tocantins; também o Orinoco e os rios da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa.

Habitat: Rios, em remansos e trechos de correnteza junto da mata ciliar, onde caem frutos e flores; na cheia entra na floresta alagada. Aparece em rios de água clara e preta.

nativa nas bacias

AmazônicaTocantins-Araguaia

estados

Mato Grosso, Amazonas

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: jun–out
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Seca, de junho a setembro no sul da Amazônia: rio baixo, peixe concentrado nos poços e nos pontos de ceva, como no Teles Pires. Na cheia ele se espalha pela mata alagada, onde há muito alimento, e a pesca rende menos.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Dia, com picos no amanhecer e entardecer. Ativa de dia, com mais atividade cedo e no fim da tarde, quando sobe para pegar frutos, insetos e peixes pequenos junto à mata.

clima, água e comportamento

o que mexe com a matrinchã
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Friagens derrubam a atividade por alguns dias.

pressão atmosférica

Tempo estável favorece; queda brusca antes de temporal costuma dar um pico curto.

lua

Efeito pequeno.

chuva

Chuva forte turva a água e espalha o peixe; chuva fina não atrapalha.

nível da água

Rio baixando e seca são o melhor cenário; na cheia o peixe vai para a mata alagada.

barulho

Cardume arisco: chegue devagar e evite bater no casco.

vento

Marola leve ajuda iscas de superfície; vento forte atrapalha o arremesso.

profundidade

Meia-água, de 0,5 a 3 m, junto de galhos e barrancos.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
6' a 6'6", ação média-rápida, 10 a 20 lb
molinete / carretilha
molinete 2500 a 3500 ou carretilha de perfil baixo 100
linha
multifilamento 20 a 30 lb
líder
fluorocarbono 20 a 30 lb, cerca de 1 m
anzol
nº 2 a 1/0 em isca natural; garatéias nº 4 a 2 em artificiais

iscas artificiais

  • popper pequeno de 6 a 8 cm
  • hélice pequena
  • minnow de 7 a 9 cm
  • mosca streamer ou imitação de fruto

iscas naturais

  • frutos da mata
  • milho
  • gafanhoto
  • minhoca

acessórios

  • óculos polarizados
  • puçá
  • alicate

dica de quem pesca

Chegue em silêncio e arremesse junto da mata ciliar e dos galhos com frutos. Com isca natural, deixe fruta ou milho a meia-água. Onde a ceva é praticada, confira a regra local antes de usá-la.

o que a lei diz

regras para a matrinchã

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional brasileira (Portaria GM/MMA nº 1.667/2026).

Defeso de 15/11 a 15/03 no AM, AC, RO (Madeira) e PA

captura, transporte e comércio proibidos; linha de mão ou vara ficam de fora, com limite de 5 kg + 1 exemplar15/11 a 15/03AMACROPAAmazônica

A Portaria Ibama nº 48/2007 (Anexo II) proíbe a matrinxã (Brycon spp.) no Acre e no Amazonas, e a jatuarana (Brycon spp.) no Pará e na bacia do Madeira, em Rondônia, de 15 de novembro a 15 de março. A norma cita o gênero inteiro, e a matrinchã entra. O art. 2º, II, deixa de fora os pescadores artesanais e amadores que usam linha de mão ou vara, linha e anzol, onde não houver norma estadual mais restritiva, e o art. 3º limita o amador a 5 kg + 1 exemplar no período. Campeonatos são proibidos no defeso (art. 4º).

Fonte: Portaria Ibama nº 48/2007, Anexos I e II e arts. 2º a 4º

Amapá: lista cita a matrinxã e a matrinchã (Brycon cephalus)

pesca proibida de 15/11 a 15/03 na lista (a norma cita Brycon cephalus)15/11 a 15/03APAmazônicaconfirme no órgão

No Amapá a Portaria 48/2007 lista a matrinxã (Brycon cephalus) na bacia do Amazonas e a matrinchã/jatuarana (Brycon cephalus) nas bacias do Araguari, Flexal, Cassiporé, Calçoene, Cunani e Uaçá. Brycon cephalus é o nome antigo da matrinxã amazônica, mas 'matrinchã' é o nome popular do Brycon falcatus; na dúvida, trate o peixe como protegido no período. Amadores com linha de mão ou vara ficam de fora das proibições do Anexo II (art. 2º, II).

Fonte: Portaria Ibama nº 48/2007, Anexos I e II (Amapá)

Mato Grosso: matrinchã no Transporte Zero

pesque e solte; transporte, armazenamento e venda proibidos até 31/12/2028MTAmazônicaTocantins-Araguaia

O art. 19-B, V, da Lei 9.096/2009 (redação da Lei 12.434/2024) veda por cinco anos, desde 1º/01/2024, transportar, armazenar e comercializar a matrinchã (Brycon spp.) pescada em rios de MT. O amador só pratica pesque e solte; o consumo no local (até 2 kg ou 1 exemplar, a no máximo 500 m do rio) vale só para espécies fora dessa lista (art. 19-C, §4º).

Fonte: Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-B e 19-C (incluídos pela Lei nº 12.434/2024) - Sema-MT

Mato Grosso: matrinchã com no mínimo 35 cm

35 cmMTAmazônicaTocantins-Araguaia

O Anexo II da lei de pesca de MT (bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins) fixa 35 cm para a matrinchã (Brycon spp.). Com o Transporte Zero em vigor o peixe volta à água, e a medida serve de referência para a fiscalização.

Fonte: Lei estadual MT nº 9.096/2009, art. 28 e Anexo II - Sema-MT

Colômbia: veda da Orinoquia, da Páscoa a 31/05

da primeira segunda-feira depois da Semana Santa até 31/05: sem armazenar, transportar ou vender peixe de consumo para fora do município

A Resolução AUNAP nº 2663/2022 cria, nos departamentos de Meta, Vichada, Casanare, Arauca, Guaviare e Guainía, uma veda que começa na primeira segunda-feira depois da Semana Santa e vai até 31 de maio de cada ano. Nesse período fica proibido armazenar, transportar e comercializar peixe de consumo retirado do ambiente natural para fora do município ou do departamento; a venda só pode ocorrer no próprio município, direto pelo pescador de subsistência. A norma trata de armazenamento, transporte e comércio; confirme na AUNAP as regras para a pesca esportiva no período.

Fonte: Resolução AUNAP nº 2663, de 09/11/2022, arts. 1º e 2º

piracemas das bacias onde a espécie vive

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema em Mato Grosso (todas as bacias)

01/10 a 31/01MT

Permitido: Todas as modalidades de pesca ficam proibidas nos rios, inclusive o pesque-e-solte (Lei 9.096/2009, art. 19-A). Exceções: subsistência desembarcada (3 kg ou 1 exemplar, sem transporte nem venda) e pesca científica. A Lei 13.159/2025 passou a admitir pesca desportiva licenciada em reservatórios de UHE/PCH, lagos naturais e rios de divisa, condicionada a estudo científico e a licença do órgão ambiental. Não confirmamos se essas licenças já são emitidas.

Fonte: IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017; Resolução Cepesca-MT nº 1/2026; Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A e 27 (Leis 12.434/2024 e 13.159/2025)

Piracema da bacia do rio Araguaia

01/11 a 28/02GOTOPAMT

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com linha de mão, vara ou molinete/carretilha. O pescado só pode ser consumido no local, sem transporte. Competições proibidas. Subsistência: 3 kg + 1 exemplar. Regras estaduais (GO e TO) podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2011

Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi

01/11 a 28/02TOPAMAGO

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com consumo no local. Subsistência: 5 kg + 1 exemplar. Regras estaduais podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 13/2011

Defeso nos rios da Ilha de Marajó (PA)

01/01 a 30/04PA

Permitido: Mesmas exceções do amador previstas na Portaria 48/2007 (linha de mão ou vara, 5 kg + 1 exemplar), salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Defeso da bacia Amazônica no Amapá

15/11 a 15/03AP

Permitido: Amador com linha de mão ou vara, linha e anzol fica fora das proibições do Anexo II, com cota de 5 kg + 1 exemplar, salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Rios de divisa MT/RO e MT/PA

05/11 a 28/02MTROPA

Permitido: Veja as exceções da Portaria 48/2007 e as regras estaduais de cada margem.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Segure o peixe pelo corpo, molhando as mãos, sem apertar o ventre; retire o anzol rápido e devolva-o com a cabeça voltada para a correnteza. Cuidado com a piabanha-do-Araguaia (Brycon gouldingi) e outras matrinchãs ameaçadas: se não tiver certeza da espécie, solte.

na cozinha

Aparece na pesca comercial e de subsistência; o filé costuma ser frito, assado ou feito em caldeirada. No Teles Pires, a ceva de soja mudou o sabor e a cor do filé em testes com provadores.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.01905, b = 2.99; FishBase (relação peso-comprimento bayesiana, estimativa da própria espécie)). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase: Brycon falcatus (ficha da espécie)Tamanho, peso-comprimento, profundidade, ambiente, distribuição, biologia e status da IUCN. Página conferida em 13/10/2026. O peso máximo de 2,7 kg da FishBase foi substituído por 4,4 kg, medido por Matos (2014) em peixes do Teles Pires (comprimento padrão de até 48,5 cm); o comprimento máximo de 48,9 cm foi mantido. O tamanho e o peso comuns vêm da mesma dissertação (médias de 27 a 35 cm de comprimento padrão e de 0,7 a 1,7 kg). A faixa de profundidade é estimativa editorial. A descrição visual segue o padrão do gênero Brycon, porque não encontramos descrição publicada do colorido desta espécie. A FishBase indica 18 a 25 °C para o cativeiro; usamos a faixa de rio da ficha.
  2. científica FishBase: nomes populares de Brycon falcatusNomes por país e língua.
  3. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026: Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)A espécie não consta da lista. Conferido no DOU de 28/04/2026.
  4. científica Matos, L. S. (2014). Dieta, composição química, contaminação por metais pesados e análise sensorial do peixe matrinxã (Brycon falcatus Müller & Troschel, 1844) em rios amazônicos. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais), Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop.Dieta (frutos, sementes, flores, folhas, insetos, caranguejos, peixes), pesca com ceva de soja e milho no Teles Pires, comprimentos e pesos de 97 a 101 peixes, e revisão de estudos de dieta no Negro, no Tocantins e na Amazônia colombiana. Documento conferido em 13/10/2026.
  5. oficial Portaria Ibama nº 48, de 5 de novembro de 2007 (defeso na bacia amazônica)Períodos do Anexo I e proibições do Anexo II por estado, com a exceção do art. 2º, II, e o limite de 5 kg + 1 exemplar do art. 3º. Texto conferido em 13/10/2026.
  6. oficial Lei estadual nº 9.096/2009 (consolidada) - Política da Pesca de Mato GrossoArts. 19-B e 19-C (Transporte Zero) e Anexo II (medida mínima da matrinchã). Texto consolidado conferido em 13/10/2026; a tabela da Sema-MT de 06/06/2025 traz a mesma lista.
  7. oficial AUNAP: Resolução nº 2663, de 9 de novembro de 2022 (veda da Orinoquia colombiana)Veda anual de peixes de consumo e ornamentais em seis departamentos da Orinoquia. Texto conferido em 13/10/2026.
não confunda

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