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catálogo Anostomidae · onívoro

piau

Leporinus piau

Água doce

Piau rústico dos rios e açudes do Nordeste, do São Francisco ao Parnaíba. Aguenta água com pouco oxigênio e rende a tradicional 'temporada do piau' na seca, pescada com vara simples, milho ou massa de fubá.

Também chamado de: piau, piau-cabeça-gorda, piau-branco, piau-coqueiro

silhueta do formato do corpo · ilustração em breve
tamanho comum
15–25 cm
máximo
33 cm
peso comum
0,1–0,2 kg
recorde/máx.
0,6 kg
profundidade
0,5–5 m
água ideal
25–31 °C
visão geral

quem é o piau

Anostomídeo de porte médio, nativo do Nordeste, descrito por Fowler em 1941 no rio Salgado, no Ceará. Ocorre dos rios do São Francisco ao Parnaíba e em bacias intermitentes que drenam para o Atlântico, como Jaguaribe e Piranhas-Açu, além de açudes do semiárido. É considerado rústico porque suporta água com pouco oxigênio. Onívoro e oportunista, come o que estiver mais abundante e se alimenta bastante o ano todo, menos na época da reprodução. Migra e se reproduz no período chuvoso, de novembro a março, segundo a literatura. É peixe importante da pesca artesanal, de subsistência e esportiva; no Parnaíba, a 'temporada do piau' acontece na seca, de julho a setembro, com vara, linha, anzol e milho ou 'grude'.

curiosidades

  • É chamado de piau-cabeça-gorda, piau-branco e piau-coqueiro, conforme a região.
  • Em estudo no Parnaíba, os peixes pegos a jusante da barragem de Boa Esperança amadureceram em tamanho menor que os do trecho a montante.
  • Aguenta água com pouco oxigênio e por isso vive até em rios temporários do semiárido.
como reconhecer

identificação

Piau de porte médio, de corpo alongado e quase fusiforme, com cabeça larga (daí piau-cabeça-gorda), boca pequena na ponta do focinho com poucos dentes grandes e achatados, como nos demais Leporinus, e nadadeira adiposa. Os peixes de pesca ficam entre 15 e 25 cm. Nos rios e açudes do semiárido nordestino é um dos piaus de maior importância para a pesca; fora do Nordeste, os piaus que aparecem nas pescarias são outras espécies, como o piau-três-pintas e a piapara.

como está a pesca de piau

Carregando os próximos 7 dias…

Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Rios do Nordeste, do São Francisco ao Parnaíba, e bacias intermitentes que drenam para o Atlântico, como Jaguaribe e Piranhas-Açu. Foi descrito no rio Salgado (CE) e é comum em açudes do semiárido, como o Taperoá II, na Paraíba.

Habitat: Rios perenes e temporários, remansos, poços e açudes do semiárido; tolera pouco oxigênio. Os casais desovam em locais com vegetação densa, segundo a FishBase.

nativa nas bacias

ParnaíbaAtlântico Nordeste OrientalSão Francisco

estados

Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: jun–out
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

A 'temporada do piau', no Parnaíba, vai de julho a setembro, no período mais seco do rio, quando a pesca com milho ou grude rende mais. A reprodução cai no período chuvoso (novembro a março), e nessa fase o peixe se alimenta bem menos.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Dia, com picos no amanhecer e entardecer. Come bastante o ano todo, de dia. A pesca rende mais de manhã e no fim da tarde, longe do sol a pino.

clima, água e comportamento

o que mexe com o piau
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Pouco efeito na maior parte do Nordeste; noites frias de inverno diminuem a atividade.

pressão atmosférica

Pouco efeito; tempo estável é melhor.

lua

Efeito pequeno.

chuva

Chuvas fortes do período chuvoso espalham o peixe e coincidem com a desova; a pesca é mais fraca.

nível da água

Rio baixo e açude em baixa concentram o peixe nos poços e remansos: é a temporada.

barulho

Moderado: aproxime-se devagar dos poços rasos.

vento

Pouco efeito; vento forte atrapalha a boia.

profundidade

Fundo de poços e remansos de 1 a 3 m, perto de vegetação e de pedras.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
caniço de bambu ou vara telescópica de 2,4 a 3,6 m, ação média
molinete / carretilha
molinete 1000 a 2000, ou pesca de caniço sem molinete
linha
monofilamento 0,25 a 0,30 mm
líder
fluorocarbono ou monofilamento 0,25 mm, 40 a 60 cm
anzol
nº 8 a 4, haste curta, bem afiado; a boca é pequena

iscas naturais

  • milho cozido
  • grude (bolo de fubá de milho e fécula de mandioca, cozido em banho-maria)
  • massa de fubá
  • minhoca

acessórios

  • boia pequena
  • ceva de milho
  • puçá

dica de quem pesca

Ceve o ponto com milho e deixe a isca a meia altura, 20 a 40 cm acima do fundo. A mordida é rápida e leve: ferre sem força.

o que a lei diz

regras para o piau

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional brasileira (Portaria GM/MMA nº 1.667/2026).

Ceará: defeso de 1º/02 a 30/04, vara e linha liberadas

petrechos com malha, transporte e comércio proibidos; linha de mão ou vara ficam de fora01/02 a 30/04CEAtlântico Nordeste OrientalParnaíba

A Portaria Ibama nº 4/2008 proíbe, de 1º de fevereiro a 30 de abril, a captura com petrechos de malha e o transporte, o armazenamento e a venda dos peixes de águas continentais do Ceará (bacias do Acaraú, Banabuiú, Coreaú, Curu, Jaguaribe, Poti e Salgado, e bacias Metropolitanas e do Litoral). O pescador amador com linha de mão ou vara, linha e anzol fica de fora (art. 2º). Entre as espécies de piracema do art. 3º aparecem o piau comum (Schizodon fasciatus) e o piau verdadeiro (Leporinus elongatus); o Leporinus piau não é citado pelo nome, mas o art. 1º vale para os peixes de piracema e para outras espécies.

Fonte: Portaria Ibama nº 4, de 28/01/2008, arts. 1º a 3º

Defeso nas bacias do Rio Grande do Norte

01/12 a 28/02RNAtlântico Nordeste Orientalconfirme no órgão

Defeso de curimatã, piau, sardinha e branquinha nas bacias do RN.

Fonte: IN IBAMA nº 209/2008

Defeso nas bacias da Paraíba

01/12 a 28/02PBAtlântico Nordeste Orientalconfirme no órgão

Defeso de curimatã, piau, sardinha e branquinha nas bacias da Paraíba.

Fonte: IN IBAMA nº 210/2008

piracemas das bacias onde a espécie vive

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema da bacia do rio São Francisco (rios e reservatórios)

01/11 a 28/02MGBAPEALSEGODF

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão, vara, molinete ou carretilha, até 5 kg + 1 exemplar. Proibido pescar até 1.000 m de barragens, cachoeiras e corredeiras e até 500 m de confluências. Lagoas marginais têm defeso maior (veja o item seguinte).

Fonte: Portaria IBAMA nº 50/2007

São Francisco: lagoas marginais

01/11 a 30/04MGBAPEALSEGODF

Permitido: Nenhuma pesca nas lagoas marginais durante o período.

Fonte: Portaria IBAMA nº 50/2007

Piracema da bacia do rio Parnaíba

15/11 a 16/03PIMACE

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada com linha de mão, vara, molinete ou carretilha, até 5 kg + 1 exemplar por dia. Proibido pescar até 1.500 m de barragens, cachoeiras e corredeiras. Campeonatos proibidos.

Fonte: IN MMA nº 40/2005

Defeso nas bacias do Ceará

01/02 a 30/04CE

Permitido: A pesca amadora com linha de mão ou vara fica fora da proibição.

Fonte: Portaria IBAMA nº 04/2008

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Peixe pequeno e delicado de boca: use anzol sem farpa ou com farpa amassada, molhe as mãos antes de tocá-lo e devolva logo, de preferência no mesmo poço.

na cozinha

Importante fonte de proteína nas pescarias de subsistência do Nordeste; costuma ser frito inteiro ou feito em caldeirada. Tem espinhas, como os piaus em geral.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.00933, b = 3.14; FishBase (relação peso-comprimento bayesiana, estimativa da própria espécie)). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase: Leporinus piau (ficha da espécie)Tamanho, peso-comprimento, profundidade, ambiente, distribuição, biologia e status da IUCN. Página conferida em 13/10/2026. O tamanho e o peso comuns e a faixa de profundidade são estimativas editoriais para peixes de pesca; o peso máximo foi calculado pela relação peso-comprimento. O comprimento máximo de 33 cm é furcal; a literatura do Parnaíba cita cerca de 25 cm de comprimento padrão. A FishBase aponta só o rio Salgado (CE); a distribuição da ficha vem dos estudos citados abaixo. O padrão de cores e os traços de identificação seguem o gênero Leporinus, porque não encontramos descrição publicada do colorido desta espécie.
  2. científica FishBase: nomes populares de Leporinus piauNomes por país e língua.
  3. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026: Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)A espécie não consta da lista. Conferido no DOU de 28/04/2026.
  4. científica Feitosa, F. S. (2018). História de vida de Leporinus piau Fowler, 1941. Tese (Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais), Universidade Federal do Ceará.Nomes populares, distribuição do São Francisco ao Parnaíba, rusticidade, dieta onívora, período reprodutivo e a 'temporada do piau' na seca do Parnaíba. Documento conferido em 13/10/2026.
  5. científica Montenegro, A. K. A.; Torelli, J. E. R.; Marinho, R. S. A.; Crispim, M. C.; Hernandez, M. I. M. (2010). Aspects of the feeding and population structure of Leporinus piau Fowler, 1941 of Taperoá II Dam, semi-arid region of Paraíba, Brazil. Biotemas 23(2).Dieta variada, onívora e oportunista; 89 peixes de 6,2 a 22,0 cm em açude da Paraíba. Resumo conferido em 13/10/2026.
  6. oficial Portaria Ibama nº 4, de 28 de janeiro de 2008 (defeso das águas continentais do Ceará)Período de 1º/02 a 30/04, petrechos de malha e comércio; exceção para linha de mão e vara. A página de defesos continentais do Ibama (atualizada em 27/11/2025) ainda lista a norma para o Ceará. No Rio Grande do Norte e na Paraíba há defesos próprios de 'piau' (INs Ibama 209 e 210/2008), que a lista do Ibama associa ao gênero Schizodon; não os aplicamos a esta espécie.
não confunda

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