sonar básico: como ler o ecobatímetro
Entenda como o sonar enxerga debaixo d'água, o que cada risco da tela significa e como ajustar o aparelho para achar fundo, estrutura e peixe.
toque nos números
- Superfície: ruído de ondas, bolhas e do próprio barco. Ajuste a supressão de superfície se atrapalhar.
- Termoclina: faixa difusa onde a água muda de temperatura. Muitos peixes ficam logo acima ou nela no calor.
- Cardume de isca: nuvem de pontos pequenos. Predador costuma estar por perto, abaixo ou nas bordas.
- Arco de peixe: o peixe entra e sai do cone e o desenho vira arco. Arco grosso e quente = peixe maior ou mais perto do centro.
- Galhada / árvore: linhas que sobem do fundo. Estrutura onde predador se esconde; marque o ponto.
- Fundo duro: faixa grossa, brilhante, às vezes com segunda reflexão abaixo. Pedra, cascalho, areia batida.
- Fundo mole: faixa fina e escura. Lama, lodo, vegetação. Sem segunda reflexão.
- Borda direita = agora: é o que está embaixo do barco neste instante. Tudo à esquerda já passou.
como o sonar funciona
O transdutor, instalado no barco, emite pulsos de som para baixo e mede quanto tempo o eco leva para voltar. Como o som viaja a cerca de 1.500 m/s na água, o aparelho converte esse tempo em profundidade. Tudo que devolve eco aparece na tela: fundo, pedra, galho, isca, peixe, bolha.
O som sai em forma de cone. Quanto mais fundo, maior o círculo coberto no fundo. Um cone de 20 graus cobre um círculo de cerca de um terço da profundidade (a 10 m, uns 3,5 m de diâmetro). Um cone de 60 graus cobre mais ou menos a própria profundidade (a 10 m, uns 11 m). O que fica fora do cone não aparece.
dicas
- 50 kHz: cone largo (em geral 40 a 45 graus) e alcance grande. Uso: mar, parcéis e águas de dezenas a centenas de metros.
- 83 kHz: cone bem largo (perto de 60 graus em vários modelos). Uso: água rasa a média, quando você quer ver mais área ao redor do barco.
- 200 kHz: cone estreito (cerca de 20 graus), mais definição e menos ruído. Uso: rios, represas e costa rasa; é a melhor para separar peixe do fundo.
- CHIRP: em vez de um tom único, cada pulso varre uma faixa de frequências. Resultado: alvos próximos separados, peixe colado no fundo mais visível e menos ruído. Se o seu aparelho tem CHIRP, use como padrão.
- Os ângulos variam por modelo. Confira no manual do seu transdutor.
o que a tela mostra
No sonar tradicional (2D), a tela rola da direita para a esquerda. A borda direita é o que está embaixo do barco agora; o resto é o que já passou.
dicas
- Fundo: a faixa contínua mais forte, normalmente na parte de baixo da tela.
- Arco de peixe: o peixe entra pela borda do cone, mais longe do transdutor, fica mais perto no centro e se afasta ao sair. A distância diminui e depois aumenta, e o desenho vira arco. Arco completo só aparece com o barco ou o peixe em movimento. Barco parado e peixe parado dão uma linha reta. Meio arco é peixe que cruzou só a borda do cone.
- Tamanho: a espessura do arco tem relação com o tamanho do peixe. O comprimento do arco depende do tempo que ele ficou no cone, não do tamanho.
- Cardume: mancha ou nuvem densa. Isca miúda forma bolas e nuvens; o predador costuma aparecer como arcos maiores na borda ou embaixo delas.
- Termoclina: faixa horizontal de pontilhado na mesma profundidade, sem relação com o fundo. Marca a mudança brusca de temperatura em represas e lagos fundos no calor. Muitos peixes ficam acima ou na altura dela; abaixo pode faltar oxigênio.
- Vegetação: traços verticais e difusos subindo do fundo, menos densos que o fundo, às vezes inclinados pela corrente.
- Galhada e pedra: galho aparece como riscos irregulares saindo do fundo; pedra, como saliência dura e brilhante.
- Fundo duro x mole: com a mesma sensibilidade, fundo duro (pedra, cascalho, areia compactada) devolve eco forte, com linha mais grossa e brilhante e, muitas vezes, uma segunda reflexão (um segundo fundo, mais fraco, no dobro da profundidade). Fundo mole (lama, lodo) absorve o som: linha fina, cor fraca e quase nunca segunda reflexão.
- Zona cega: peixe colado no fundo, na borda do cone, pode se esconder dentro da linha do fundo. Use o zoom de fundo.
- Pontilhado perto da superfície costuma ser bolha de motor, esteira ou plâncton.
configurações que importam
Comece no automático. Depois mude uma configuração de cada vez e observe o efeito na tela.
dicas
- Sensibilidade (ganho): suba até aparecer um pouco de pontilhado na coluna d'água e baixe um ou dois pontos. Baixa demais apaga peixe pequeno e afina o fundo; alta demais enche a tela de ruído.
- Faixa (profundidade): no automático, o aparelho acompanha o fundo. No manual, deixe o fundo no terço inferior da tela.
- Velocidade de rolagem: acompanhe a velocidade do barco. Arcos espremidos pedem rolagem mais rápida; tudo esticado demais pede rolagem mais lenta.
- Zoom: use tela dividida com zoom travado no fundo (bottom lock) para ver peixe encostado no fundo e a textura da estrutura.
- Supressão de ruído: use em nível baixo ou médio para cortar interferência de motor, bomba e outros sonares. No máximo, ela apaga sinais fracos, como isca miúda.
- Filtro de superfície: reduz bolhas e sujeira perto da superfície. Use o mínimo necessário.
- Fish ID (ícone de peixe): desligue enquanto aprende. O aparelho marca como peixe bolha, galho e capim, e deixa de marcar peixe colado no fundo e na estrutura. Aprenda a ler os arcos; depois, se quiser, ligue só como apoio.
primeira saída: passo a passo
Aprenda num lugar que você já conhece. Comparar a tela com o que você sabe do fundo é o jeito mais rápido de entender o aparelho.
- Ligue o aparelho com o barco na água e confirme que o transdutor está submerso, limpo e sem bolha presa na face.
- Deixe sensibilidade e faixa no automático e escolha a frequência alta (200 kHz ou CHIRP alto) para rio, represa e costa rasa.
- Desligue o Fish ID.
- Ande devagar (5 a 10 km/h), em linha reta, sobre um lugar conhecido: um canal, uma pedra, um barranco.
- Compare a tela com o lugar: onde o fundo sobe, onde há pau, onde muda a profundidade.
- Suba a sensibilidade até aparecer ruído leve e baixe um pouco. Observe o que muda.
- Ao ver estrutura ou peixe, marque um waypoint na hora e anote a profundidade.
- Volte sobre a marca em outra direção para confirmar o que viu.
- Teste o zoom de fundo e a velocidade de rolagem até os arcos ficarem nítidos.
- Em casa, revise as capturas de tela que salvou.
dicas
- Anote o que você pescou em cada marca. Com o tempo, você reconhece a assinatura de cada espécie e estrutura.
instalação do transdutor
A leitura depende mais da instalação do que do aparelho. O transdutor precisa de água lisa passando pela face, sem bolha e sem turbulência. Siga sempre o manual do fabricante.
dicas
- Popa (transom): o mais comum. Monte onde a água corre lisa, longe de rebites, degraus do casco, tomadas d'água e do redemoinho da hélice. Em motor de rotação horária, a recomendação usual é o lado de boreste (direito, olhando da popa para a proa), onde as pás descem. Com o barco na água, a face deve ficar paralela à superfície, na altura indicada no manual em relação ao fundo do casco.
- Através do casco: colado por dentro em casco de fibra maciço, com epóxi e sem bolha de ar. Não funciona em alumínio nem em casco com núcleo (sanduíche). Perde um pouco de sensibilidade, mas não sofre pancada nem pega sujeira.
- Motor elétrico: preso na rabeta do elétrico de proa, apontando para baixo. Mostra o que está sob a proa, onde você pesca. Prenda o cabo ao longo da haste com folga para o motor girar e recolher.
- Deixe folga no cabo para o suporte basculante bater e voltar sem esticar o fio. Enrole a sobra; não corte o cabo.
- Limpe a face com pano macio, água e sabão neutro. Não raspe.
erros comuns
- Transdutor alto demais ou em água turbulenta: o fundo some quando o barco acelera.
- Face inclinada para a frente ou para trás: arcos deformados e perda de fundo.
- Bolhas na cola do transdutor de casco: sinal fraco.
erros comuns
Quase todo problema de leitura vem de configuração, instalação ou interpretação. O aparelho raramente é o culpado.
erros comuns
- Confiar no ícone de peixe e ignorar a tela bruta.
- Achar que arco comprido é peixe grande.
- Sensibilidade baixa demais por medo de ruído.
- Faixa manual errada: o fundo sai da tela.
- Esperar arco com barco e peixe parados.
- Ficar rodando com motor a combustão em cima do ponto que acabou de achar: espanta o peixe.
- Esquecer que a tela mostra o que já passou: só a borda direita é o agora.
checklist
Marque o que já está pronto. Fica salvo neste aparelho.
fontes e referências
- técnica Simrad — Traditional Sonar: How to Read It Like a ProArco de peixe, isca, fundo duro e mole, zoom e bottom lock, frequência e CHIRP, regra do ganho.
- técnica Simrad — Sonar 101: How to Choose a TransducerPotência e frequências 200, 83 e 50 kHz e a profundidade de uso de cada uma.
- técnica Garmin — ECHOMAP UHD2 6/7/9 sv Owner's Manual: Sonar FishfinderCapítulo de sonar do manual: vista tradicional (rola da direita para a esquerda), ClearVü, SideVü, LiveScope, ajustes e waypoint na tela.
- técnica Garmin — Transducer Placement GuideVersão 2, set./2026. Escolha do local do transdutor: linha d'água, sentido de rotação da hélice, interferência e tipo de casco.
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