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catálogo Bryconidae · predador

dourado

Salminus brasiliensis

Água doce

O rei do rio. Predador de corredeira que ataca com violência e salta várias vezes fora d'água. Em MS, MT e PR só pode ser pescado no pesque e solte.

Também chamado de: dourado, rei-do-rio, piraju, dourado-do-pantanal

Ilustração científica de Dourado
tamanho comum
50–80 cm
máximo
100 cm
peso comum
3–10 kg
recorde/máx.
31,0 kg
profundidade
0,5–6 m
água ideal
22–28 °C
visão geral

quem é o dourado

Maior caracídeo predador das bacias do Prata. Vive em rios de correnteza e caça lambaris, piaus, tuviras e curimbatás na saída das pedras e nas bocas de corixo. É migrador: na piracema sobe dezenas a centenas de quilômetros para desovar, por isso some de rios barrados sem passagem. Briga como poucos peixes de água doce: arranca linha, salta e balança a cabeça para cuspir a isca. A boca é dura e cheia de dentes, o que derruba muito peixe na fisgada. Os estoques caíram em vários rios e hoje a captura é proibida em MS, MT e PR. Na prática, no Centro-Sul, o dourado virou peixe de pesque e solte. Trate bem e devolva rápido.

curiosidades

  • Os saltos fora d'água e as cabeçadas para soltar a isca são a marca da espécie.
  • Migra longas distâncias na piracema; rios barrados sem escada perdem o dourado.
  • Em MS a moratória começou em 2019 e já foi prorrogada duas vezes.
como reconhecer

identificação

Corpo alto e forte, dourado-alaranjado, com pontinhos escuros nas escamas formando linhas ao longo do flanco. Nadadeiras avermelhadas e uma faixa preta no meio da cauda. Cabeça grande e boca larga com dentes cônicos. A tabarana é menor, mais prateada e fina. O dourado-do-São-Francisco é quase igual, mas só existe nessa bacia. A piraputanga tem boca pequena e corpo prateado.

como está a pesca de dourado

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Cada cartão traz o índice do dia (0 a 100) e, embaixo, a tira com o índice de cada hora, da 0h às 23h. da fraca à excelente.

distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Pantanal (rios Paraguai, Cuiabá, São Lourenço, Miranda, Aquidauana, Taquari, Negro), alto Paraná e afluentes (Paraná, Grande, Paranaíba, Paranapanema, Ivaí, Ivinhema), rio Uruguai e sistema Jacuí. No Iguaçu e em bacias costeiras do PR e SP é introduzido.

Habitat: Corredeiras, pedrais, saídas de corixo e de baía, remansos atrás de pedra e cabeceiras de ilha. Prefere água corrente, oxigenada e mais limpa.

nativa nas bacias

Paraguai (Pantanal)ParanáUruguaiAtlântico Sul

introduzida em

Atlântico Sudeste

estados

Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: ago–out
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

No Pantanal e no Paraná, a vazante e a seca (maio a outubro) deixam a água limpa e o peixe nas corredeiras. Setembro e outubro, com água esquentando, são o pico. Na cheia a água barrenta atrapalha.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Dia, com picos no amanhecer e entardecer. Caça de dia, com picos ao amanhecer e no fim da tarde. Em água muito clara rende melhor com sol baixo. À noite reduz bastante.

clima, água e comportamento

o que mexe com o dourado
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Friagem de junho e julho derruba a atividade por 2 a 3 dias. Volta a atacar quando a água esquenta.

pressão atmosférica

Pressão estável é o ideal. Antes de frente fria costuma haver uma janela curta de ataques.

lua

Efeito pequeno. Em lua cheia o movimento cedo costuma ser melhor.

chuva

Chuva forte suja o rio e derruba a pesca por alguns dias.

nível da água

Rio baixando e limpando é o melhor cenário. Repiquete de água barrenta espalha o peixe.

barulho

Não estacione o barco em cima da corredeira. Chegue por baixo e arremesse de longe.

vento

Vento atrapalha pouco na água corrente; dificulta o arremesso preciso em pedra.

profundidade

Raso na corredeira (0,5 a 2 m) para caçar; desce para o poço abaixo da pedra no sol forte.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
5'6" a 6'6", ação rápida, 15 a 30 lb
molinete / carretilha
carretilha de perfil baixo 100 a 200 ou molinete 3000 a 4000
linha
multifilamento 30 a 50 lb
líder
fluorocarbono 50 a 60 lb ou cabo de aço encapado 30 a 45 lb, 30 a 40 cm
anzol
garatéias reforçadas 1/0 a 3/0; na isca natural, anzol 4/0 a 6/0 com empate de aço; prefira sem farpa

iscas artificiais

  • meia-água tipo minnow 9 a 12 cm
  • colher 15 a 25 g
  • jig de cabelo 1/4 a 1/2 oz
  • hélice ou stick de superfície em água rasa

iscas naturais

  • tuvira
  • lambari
  • muçum

acessórios

  • alicate de bico longo
  • boga-grip
  • luva
  • óculos polarizados

dica de quem pesca

Arremesse acima da corredeira e deixe a isca descer com a água. O ataque vem na saída da pedra. Mantenha a linha esticada no salto.

o que a lei diz

regras para o dourado

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Ameaçado em listas estaduais (RS). Estoques em queda por barragens e pesca levaram às moratórias de MS, MT e PR.

MS: captura proibida até 31/03/2027

somente pesque e solteMS

Captura, embarque, transporte, comércio, processamento e industrialização do dourado estão proibidos em MS. Exceções: pesque e solte, consumo próprio de profissionais e ribeirinhos e peixe de cativeiro. A moratória de 2019 foi prorrogada em 2024 e de novo em 2025. Estudos devem ser apresentados até fev/2027 para decidir nova prorrogação.

Fonte: Lei estadual MS nº 5.321/2019, prorrogada pela Lei nº 6.190/2024 e pela Lei nº 6.390/2025 (Alems/Imasul)

Transporte zero em MT: o dourado na lista vedada

transporte, armazenamento e comércio vedados até 31/12/2028MT

O art. 19-B veda por 5 anos (desde 01/01/2024) transportar, armazenar e comercializar o dourado pescado em rios de MT. O amador só pode abater até 2 kg ou 1 exemplar para consumo no local (até 500 m do rio), e o art. 19-C exclui as espécies do art. 19-B: na prática, para esta espécie, só pesque e solte. A lei prevê avaliação após 3 anos (2027) que pode rever a lista. Lista conferida no texto consolidado publicado pela Sema-MT em 29/05/2026; a Lei 13.159/2025 não alterou a lista.

Fonte: Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-B e 19-C (incluídos pela Lei nº 12.434/2024) - Sema-MT

PR: só pesque e solte

posse, abate e transporte proibidosPR

Lei estadual de 2018 proíbe por 8 anos captura, transporte, comércio e industrialização do dourado no PR, exceto pesque e solte. A Portaria IAT 650/2025 reforça: soltura imediata no mesmo local. O prazo da lei vence no fim de 2026: confirme prorrogação no IAT.

Fonte: Lei estadual PR nº 19.789/2018 e Portaria IAT nº 650/2025 (pesca nas bacias interiores do PR; substituiu as Portarias IAT 177/2025 e 223/2025) - Instituto Água e Terra

Mato Grosso: Transporte Zero de 12 espécies

MTParaguai (Pantanal)AmazônicaTocantins-Araguaia

Ficam integralmente vedados o transporte, o armazenamento e a comercialização, por 5 anos a partir de 01/01/2024, de: cachara, caparari, dourado, jaú, matrinchã (Brycon spp.), pintado/surubim (Pseudoplatystoma spp.), piraíba, piraputanga, pirarara, pirarucu, trairão e tucunaré (Cichla spp.). Para o amador: só pesque-e-solte. Essas 12 espécies não podem nem ser consumidas no local, já que a cota de 2 kg ou 1 exemplar exclui o rol do art. 19-B. A lei cita o jaú como Zungaro zungaro; incluímos também o jaú do Pantanal (Z. jahu) por precaução. Ainda podem mudar o rol: o §2º (exóticas e predadoras), o §3º (revisão por estudo) e a avaliação de 3 anos prevista para 2027. Notícia do TJMT de 02/06/2026 confirma as 12 espécies vedadas. O STF negou liminar nas ADIs contra a lei em 2024; não localizamos decisão de mérito.

Fonte: Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A, 19-B e 19-C, com redação das Leis nº 12.197/2023 e 12.434/2024

Mato Grosso: captura de dourado e piraíba proibida

MT

Fica vedada a captura, a comercialização e o transporte de dourado (Salminus brasiliensis) e piraíba (Brachyplatystoma filamentosum) em Mato Grosso. A regra é permanente, acrescentada pela Lei 9.794/2012, e independe do Transporte Zero.

Fonte: Lei estadual MT nº 9.096/2009, art. 17-A (Lei nº 9.794/2012)

Mato Grosso do Sul: dourado proibido até 31/03/2027

MSParaguai (Pantanal)Paraná

Ficam vedados a captura, o embarque, o transporte, a comercialização, o processamento e a industrialização do dourado em MS até 31/03/2027. Fica ressalvado o pesque-e-solte, o consumo de pescadores profissionais e ribeirinhos e o peixe de cativeiro. Os estudos que vão embasar uma nova prorrogação devem ser apresentados até 28/02/2027, com audiência pública.

Fonte: Lei estadual MS nº 5.321/2019, alterada pelas Leis nº 6.190/2024 e nº 6.390/2025 (DOE-MS 28/03/2025)

Paraná: jaú, pintado, cachara, dourado e piracanjuba só pesque-e-solte

PRParanáAtlântico Sudeste

É vedada a posse, o abate e o transporte dessas espécies nas águas interiores do Paraná (bacias do Paraná e do Atlântico Sudeste, exceto o rio Iguaçu e o litoral). Só pesque-e-solte, com soltura imediata no mesmo local.

Fonte: Portaria IAT nº 650/2025, art. 8º, V

Rio Grande do Sul: dourado, pintado e piracanjuba na lista estadual de ameaçadas

RSUruguaiAtlântico Sulconfirme no órgão

O Decreto estadual 51.797/2014 declara ameaçados no RS: o dourado (EN na bacia da Laguna dos Patos, VU na bacia do Uruguai), o pintado (EN) e a piracanjuba (CR). O decreto não traz, ele próprio, regras de captura: confirme com a Sema-RS se há restrição de retenção. A boa prática é soltar.

Fonte: Decreto estadual RS nº 51.797/2014

piracemas das bacias onde a espécie vive

Piracema da bacia do rio Paraná

01/11 a 28/02SPPRMGGOMSDF

Permitido: Pesca amadora só de espécies não nativas e híbridos (tucunaré, tilápia, black bass, carpa, corvina etc.; o piauçu continua proibido), com linha de mão, caniço ou vara com molinete/carretilha, até 10 kg + 1 exemplar. Nos rios, só desembarcada; nos reservatórios, embarcada ou desembarcada. Proibido: lagoas marginais, isca de animal aquático, até 1.500 m de barragens e cachoeiras e até 500 m de confluências. Torneio só em reservatório e só com não nativas.

Fonte: IN IBAMA nº 25/2009

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema do Pantanal em Mato Grosso do Sul

05/11 a 28/02MS

Permitido: Pesca de subsistência de ribeirinhos e pesca científica autorizada. O Decreto 15.166/2019 (art. 11, §5º) admite pesque-e-solte só em fevereiro e só nas calhas dos rios Paraguai e Paraná. No resto do período não há nem pesque-e-solte. Confirme a portaria do Imasul de cada temporada.

Fonte: Decreto estadual MS nº 15.166/2019, art. 11; IN IBAMA nº 201/2008

Piracema em Mato Grosso (todas as bacias)

01/10 a 31/01MT

Permitido: Todas as modalidades de pesca ficam proibidas nos rios, inclusive o pesque-e-solte (Lei 9.096/2009, art. 19-A). Exceções: subsistência desembarcada (3 kg ou 1 exemplar, sem transporte nem venda) e pesca científica. A Lei 13.159/2025 passou a admitir pesca desportiva licenciada em reservatórios de UHE/PCH, lagos naturais e rios de divisa, condicionada a estudo científico e a licença do órgão ambiental. Não confirmamos se essas licenças já são emitidas.

Fonte: IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017; Resolução Cepesca-MT nº 1/2026; Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A e 27 (Leis 12.434/2024 e 13.159/2025)

Piracema da bacia do rio Uruguai

01/10 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora desembarcada, ou embarcada em barco sem motor. Só linha de mão ou vara, linha e anzol, um petrecho por pescador, até 5 kg. Proibido pescar em lagoas marginais, até 1.500 m de barragens, até 500 m de confluências e em trechos listados na norma (ex.: rio Turvo).

Fonte: IN IBAMA nº 193/2008

Piracema das bacias do Sul (RS e SC, fora do Uruguai)

01/11 a 31/01RSSC

Permitido: Pesca amadora embarcada ou desembarcada, com anzol simples, um petrecho por pescador, até 5 kg.

Fonte: IN IBAMA nº 197/2008

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Use alicate e boga; não ponha a mão na boca. Tire a garatéia rápido, sem pendurar o peixe pelo queixo. Foto com apoio na barriga e solte na água corrente, de frente para a correnteza, até ele sair sozinho.

na cozinha

Carne branca e saborosa, com espinhas em Y. Onde a captura é proibida, só consuma dourado de criação com nota fiscal.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.0204815, b = 3.09; FishBase; coeficiente a ajustado ao porte máximo registrado). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Salminus brasiliensis (ficha da espécie)Nomes, distribuição, biologia, relação peso-comprimento e referências. Página conferida em 13/10/2026.
  2. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)Lista nacional mais recente. A espécie não consta dela (busca pelo nome científico no texto publicado no DOU, conferida em 13/10/2026).
  3. oficial ICMBio/SALVE — Ficha de Salminus brasiliensis (avaliação nacional do risco de extinção)Avaliação nacional do ICMBio, publicada em 2024. DOI conferido no Crossref.
  4. científica IUCN Red List — Salminus brasiliensis (avaliação global: Pouco Preocupante, LC, 07/10/2020)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  5. científica Britski, H. A.; Silimon, K. Z. S.; Lopes, B. S. (1999). Peixes do Pantanal: manual de identificação. Brasília: Embrapa-SPI. 184 p.1ª edição (trata o dourado como Salminus maxillosus). A URL é o registro do livro no repositório da USP.
  6. científica Ota, R. R.; Deprá, G. C.; Graça, W. J.; Pavanelli, C. S. (2018). Peixes da planície de inundação do alto rio Paraná e áreas adjacentes: revised, annotated and updated. Neotropical Ichthyology 16(2): e170094.Lista comentada das espécies do alto rio Paraná, com indicação de nativas e não nativas. Acesso aberto; nome da espécie conferido no texto.
  7. científica Zaniboni Filho, E.; Meurer, S.; Shibatta, O. A.; Nuñer, A. P. O. (2004). Catálogo ilustrado de peixes do alto rio Uruguai. Florianópolis: Editora da UFSC; Tractebel Energia. 128 p.Obra impressa; a URL é o registro bibliográfico no FishBase, que cita esta obra para a espécie.
não confunda

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