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catálogo Arapaimidae · predador

pirarucu

Arapaima gigas

Água doce

Um dos maiores peixes de escamas de água doce do mundo. Respira ar e só pode ser pescado em áreas de manejo na maior parte da Amazônia.

Também chamado de: pirarucu, pirosca (Tocantins), bodeco (jovem)

Ilustração científica de Pirarucu
tamanho comum
120–200 cm
máximo
300 cm
peso comum
30–90 kg
recorde/máx.
200,0 kg
profundidade
0,5–6 m
água ideal
26–31 °C
visão geral

quem é o pirarucu

Gigante de escamas da Amazônia, o pirarucu respira ar e precisa subir à superfície a cada 10 a 20 minutos, a chamada boiada. Vive em lagos de várzea, igapós e remansos de água parada, onde caça peixes, camarões e caranguejos. Foi levado perto do colapso pela pesca com arpão e malhadeira, e hoje se recupera graças ao manejo comunitário, em que a cota anual depende da contagem dos peixes adultos nos lagos. A pesca é muito regulada e, no Amazonas, só ocorre em manejo autorizado. Fora da Amazônia foi solto em açudes e represas e é tratado como espécie invasora.

curiosidades

  • A língua é óssea e cheia de dentículos; seca, era usada como ralador de guaraná.
  • O macho carrega os filhotes junto à cabeça e solta uma secreção que os alimenta e protege.
  • As escamas são tão duras que resistem a mordidas de piranha.
como reconhecer

identificação

Corpo enorme, cilíndrico e alongado, cabeça achatada e óssea, escamas grandes e grossas. As nadadeiras dorsal e anal ficam lá atrás, perto da cauda, formando um remo. Escamas da metade de trás com borda vermelha forte. A aruanã é muito mais fina, prateada e tem barbilhões no queixo. Nenhum outro peixe amazônico tem esse vermelho na traseira com esse porte.

como está a pesca de pirarucu

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distribuição

onde tem

abrir no mapa grande

Lagos de várzea e igapó da bacia amazônica e do Araguaia-Tocantins (ilha do Bananal). Introduzido em açudes do Nordeste, na Baixada Maranhense, no Lago Paranoá (DF), em rios de Goiás e no alto Madeira, acima de Santo Antônio (RO).

Habitat: Lagos de várzea, igapós, remansos e canais de água parada com vegetação; evita correnteza forte.

nativa nas bacias

AmazônicaTocantins-Araguaia

introduzida em

Atlântico Nordeste OrientalAtlântico Nordeste OcidentalParaná

estados

Amazonas, Pará, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Goiás, Distrito Federal

calendário e relógio

quando pescar

melhor época

época no anomelhor: ago–nov
janfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez

Na seca, de agosto a novembro, os pirarucus ficam presos nos lagos e é quando ocorre a contagem e a pesca de manejo. Desova no início da enchente.

melhor horário

0h6h12h18h nascer ~6hpôr ~18h

Dia, com picos no amanhecer e entardecer. Come mais no começo da manhã e no fim da tarde, mas boia o dia todo. A boiada mostra onde ele está.

clima, água e comportamento

o que mexe com o pirarucu
sensibilidade As barrinhas mostram o quanto cada fator mexe com esta espécie. Cinco cheias: ela sente muito.

frio e frente fria

Friagem reduz a alimentação, mas ele continua boiando.

pressão atmosférica

Efeito moderado.

lua

Pouco efeito.

chuva

Chuva forte dificulta enxergar a boiada.

nível da água

Lago isolado na seca concentra muitos peixes; na cheia ele se espalha pela floresta alagada.

barulho

Extremamente arisco. Motor, remada forte ou conversa alta afundam o peixe por muito tempo.

vento

Vento forte esconde a boiada na marola.

profundidade

Fica de 1 a 5 m, mas sobe à superfície para respirar o tempo todo.

técnica, equipamento e isca

como pescar

vara
6'0'' a 7'0'', ação rápida e pesada, 40 a 80 lb
molinete / carretilha
carretilha de perfil alto 300 a 400 ou molinete 8000 a 10000, fricção acima de 10 kg
linha
multifilamento 65 a 100 lb
líder
monofilamento 100 a 130 lb, cerca de 1 m
anzol
circular 8/0 a 10/0 sem farpa para isca natural; garatéias 5/0 reforçadas nas artificiais

iscas artificiais

  • meia-água grande 14 a 18 cm
  • zara grande
  • shad de silicone 15 a 20 cm

iscas naturais

  • peixe vivo (cará, piau, branquinha)
  • peixe inteiro fresco

acessórios

  • luvas de couro
  • alicate longo
  • puçá grande ou cabo para conduzir o peixe na água

dica de quem pesca

Arremesse um pouco à frente de onde ele boiou, no sentido em que a ondulação se moveu, e espere: ele costuma comer logo depois de respirar.

o que a lei diz

regras para o pirarucu

Resumo das normas que encontramos, com a fonte de cada uma. A regra muda; antes de abater ou transportar, confira no órgão ambiental do estado.
Conservação: Não consta da lista nacional (Portaria GM/MMA 1.667/2026). Listado no Apêndice II da CITES. Populações se recuperaram onde há manejo comunitário.

Pesca só em manejo autorizado no Amazonas

proibido o ano todo fora do manejoAMAmazônica

No Amazonas a captura, o transporte e a venda de pirarucu são proibidos o ano inteiro (dezembro a maio pela norma federal e junho a novembro pela norma do Ibama no estado). A única exceção é a pesca em plano de manejo aprovado, com cota de até 30% dos adultos contados, peixe lacrado e guia de transporte. Pesque e solte também depende de autorização da área.

Fonte: IN IBAMA nº 34/2004 e IN IBAMA (AM) nº 1/2005; manejo pelo Decreto estadual nº 36.083/2015 (AM) e Portaria IBAMA nº 22/2025

Defeso do pirarucu (AM, PA, AC, AP)

captura, transporte e venda proibidos01/12 a 31/05AMPAACAPAmazônica

Na bacia amazônica, nos estados do Amazonas, Pará, Acre e Amapá, é proibido capturar, vender e transportar pirarucu de 1º de dezembro a 31 de maio. Peixe de piscicultura registrada, com comprovante, está liberado.

Fonte: Instrução Normativa IBAMA nº 34/2004

Defeso do pirarucu em Rondônia

captura, transporte e venda proibidos01/11 a 30/04ROAmazônica

Em Rondônia o defeso do pirarucu vai de 1º de novembro a 30 de abril. Acima da barragem de Santo Antônio, no alto Madeira, vale a regra de espécie invasora.

Fonte: Instrução Normativa IBAMA nº 34/2004

Defeso do pirarucu em Roraima

captura, transporte e venda proibidos01/03 a 31/08RRAmazônica

Em Roraima, com regime de cheia diferente, o defeso do pirarucu vai de 1º de março a 31 de agosto.

Fonte: Instrução Normativa IBAMA nº 34/2004

Tamanho mínimo na bacia amazônica

1,50 m (inteiro); 1,20 m manta fresca; 1,10 m manta secaAmazônica

Onde a pesca é permitida, o pirarucu inteiro precisa ter pelo menos 1,50 m de comprimento total. Manta fresca, 1,20 m; manta seca, 1,10 m. É proibido cortar a manta úmida na horizontal.

Fonte: Instrução Normativa IBAMA nº 34/2004

Defeso no Araguaia-Tocantins

captura, transporte, venda e armazenagem proibidos01/10 a 31/03TOPAMTGOMATocantins-Araguaia

Na bacia do Araguaia-Tocantins o pirarucu tem defeso próprio de 1º de outubro a 31 de março.

Fonte: Instrução Normativa MMA nº 24/2005

Tamanho mínimo no Araguaia-Tocantins

1,55 m (inteiro); 1,20 m manta fresca; 1,10 m manta secaTOPAMTGOMATocantins-Araguaia

No Araguaia-Tocantins o mínimo federal é 1,55 m para o peixe inteiro. No Tocantins a portaria estadual fixa janela de 120 a 180 cm; somando as duas regras, só se pode reter peixe entre 1,55 e 1,80 m.

Fonte: Instrução Normativa MMA nº 24/2005; Portaria NATURATINS/GABIN nº 47/2026 (TO)

Transporte Zero em Mato Grosso

pesque e solte obrigatório; transporte, armazenamento e venda proibidosMT

Até 31/12/2028, pirarucu pescado em rios de Mato Grosso não pode ser transportado, armazenado nem vendido. O amador só pode praticar pesque e solte. A lei é contestada no STF, mas a liminar foi negada em 2024.

Fonte: Lei estadual nº 12.434/2024 (MT), arts. 19-B e 19-C da Lei 9.096/2009

Espécie invasora fora da Amazônia: abate obrigatório

sem cota e sem tamanho; proibido soltarAtlântico Nordeste OcidentalParnaíbaAtlântico Nordeste OrientalSão FranciscoAtlântico LesteAtlântico SudesteParanáUruguaiAtlântico SulParaguai (Pantanal)

Fora da área natural, incluindo o alto Madeira acima da barragem de Santo Antônio (RO), o pirarucu é espécie exótica invasora. Pesca liberada o ano todo, sem cota nem tamanho mínimo. Pesque e solte é proibido: o peixe capturado deve ser abatido. Venda só dentro do estado da captura.

Fonte: Instrução Normativa IBAMA nº 7, de 17/03/2026

Defeso do pirarucu no Amapá e no Pará

01/12 a 31/05APPAAmazônica

Defeso do pirarucu. Tamanho mínimo: 150 cm.

Fonte: IN IBAMA nº 34/2004

Defeso do pirarucu no Acre

01/06 a 30/11ACAmazônicaconfirme no órgão

A tabela do Ibama traz duas linhas para o Acre: 01/06 a 30/11 (IN Ibama-AC 1/2008) e 01/12 a 31/05 (IN IBAMA 34/2004). Somadas, cobrem o ano todo. Não conseguimos esclarecer: trate o pirarucu no Acre como proibido e confirme no Ibama-AC.

Fonte: IN Ibama-AC nº 1/2008; IN IBAMA nº 34/2004

Defeso do pirarucu no Araguaia-Tocantins

01/10 a 31/03Tocantins-Araguaia

Defeso anual do pirarucu em toda a bacia Araguaia-Tocantins.

Fonte: IN MMA nº 24/2005

Mato Grosso: Transporte Zero de 12 espécies

MTParaguai (Pantanal)AmazônicaTocantins-Araguaia

Ficam integralmente vedados o transporte, o armazenamento e a comercialização, por 5 anos a partir de 01/01/2024, de: cachara, caparari, dourado, jaú, matrinchã (Brycon spp.), pintado/surubim (Pseudoplatystoma spp.), piraíba, piraputanga, pirarara, pirarucu, trairão e tucunaré (Cichla spp.). Para o amador: só pesque-e-solte. Essas 12 espécies não podem nem ser consumidas no local, já que a cota de 2 kg ou 1 exemplar exclui o rol do art. 19-B. A lei cita o jaú como Zungaro zungaro; incluímos também o jaú do Pantanal (Z. jahu) por precaução. Ainda podem mudar o rol: o §2º (exóticas e predadoras), o §3º (revisão por estudo) e a avaliação de 3 anos prevista para 2027. Notícia do TJMT de 02/06/2026 confirma as 12 espécies vedadas. O STF negou liminar nas ADIs contra a lei em 2024; não localizamos decisão de mérito.

Fonte: Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A, 19-B e 19-C, com redação das Leis nº 12.197/2023 e 12.434/2024

Pirarucu no Amazonas: só em áreas de manejo

AMAmazônica

No Amazonas, a pesca do pirarucu só é permitida em áreas de manejo autorizadas, com cota. Fora delas, é proibida o ano todo. Tamanho mínimo: 150 cm.

Fonte: IN IBAMA nº 34/2004; IN Ibama-AM nº 01/2005

piracemas das bacias onde a espécie vive

Defeso em Goiás (regra estadual)

01/11 a 28/02GO

Permitido: Pesca esportiva e conduzida só em reservatórios, em pesque-e-solte com anzol sem fisga (sem reter, transportar ou consumir). Subsistência: até 5 kg por dia, só para consumo doméstico.

Fonte: IN Semad-GO nº 17/2026, arts. 8º a 11

Piracema em Mato Grosso (todas as bacias)

01/10 a 31/01MT

Permitido: Todas as modalidades de pesca ficam proibidas nos rios, inclusive o pesque-e-solte (Lei 9.096/2009, art. 19-A). Exceções: subsistência desembarcada (3 kg ou 1 exemplar, sem transporte nem venda) e pesca científica. A Lei 13.159/2025 passou a admitir pesca desportiva licenciada em reservatórios de UHE/PCH, lagos naturais e rios de divisa, condicionada a estudo científico e a licença do órgão ambiental. Não confirmamos se essas licenças já são emitidas.

Fonte: IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017; Resolução Cepesca-MT nº 1/2026; Lei estadual MT nº 9.096/2009, arts. 19-A e 27 (Leis 12.434/2024 e 13.159/2025)

Piracema da bacia do rio Araguaia

01/11 a 28/02GOTOPAMT

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com linha de mão, vara ou molinete/carretilha. O pescado só pode ser consumido no local, sem transporte. Competições proibidas. Subsistência: 3 kg + 1 exemplar. Regras estaduais (GO e TO) podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2011

Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi

01/11 a 28/02TOPAMAGO

Permitido: Pesca amadora só em reservatórios, com consumo no local. Subsistência: 5 kg + 1 exemplar. Regras estaduais podem ser mais restritivas.

Fonte: IN Interministerial MPA/MMA nº 13/2011

Defeso nos rios da Ilha de Marajó (PA)

01/01 a 30/04PA

Permitido: Mesmas exceções do amador previstas na Portaria 48/2007 (linha de mão ou vara, 5 kg + 1 exemplar), salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Defeso da bacia Amazônica no Amapá

15/11 a 15/03AP

Permitido: Amador com linha de mão ou vara, linha e anzol fica fora das proibições do Anexo II, com cota de 5 kg + 1 exemplar, salvo norma estadual mais restritiva.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

Rios de divisa MT/RO e MT/PA

05/11 a 28/02MTROPA

Permitido: Veja as exceções da Portaria 48/2007 e as regras estaduais de cada margem.

Fonte: Portaria IBAMA nº 48/2007

pesque-e-solte
pesque-e-solte Devolver o peixe vivo, rápido e com a mão molhada. Em defeso, nem sempre é permitido: vale o que a norma diz.

Não tire o peixe da água nem levante pela boca ou pelas guelras: o peso machuca a coluna e os órgãos. Mantenha-o na água, deixe respirar e solte logo. Peixe exausto precisa conseguir subir para respirar ar.

na cozinha

Carne branca, sem espinhas e muito valorizada: pirarucu de casaca, à milanesa, seco e salgado como bacalhau. Compre só com lacre do manejo ou de piscicultura.

calculadora

quanto pesa sem tirar da água

Relação peso-comprimento W = a·Lb (a = 0.01096, b = 2.94; FishBase (bayesiano, espécie + forma do corpo da família)). É uma média: peixe gordo ou magro pode variar de 10% a 20%.

peso estimado

—

fontes e referências

Os pesos de época (meses), o horário e as sensibilidades (frio, pressão, lua, vento, chuva, maré, luz forte, água turva e barulho) são estimativas editoriais do app, feitas a partir da literatura abaixo e da experiência de campo de pescadores e guias. Não são dado oficial nem medição feita para esta espécie e podem variar por região e ano. Defesos e regras legais aparecem na seção de regras, com norma e link.

  1. científica FishBase — Arapaima gigas (ficha da espécie)Nomes, distribuição, biologia, relação peso-comprimento e referências. Página conferida em 13/10/2026.
  2. oficial Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026 — Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (peixes e invertebrados aquáticos)Lista nacional mais recente. A espécie não consta dela (busca pelo nome científico no texto publicado no DOU, conferida em 13/10/2026).
  3. científica IUCN Red List — Arapaima gigas (avaliação global: Dados Insuficientes, DD, 01/08/1996)Avaliação global. Link indicado na ficha do FishBase (Lista Vermelha, versão 2025-2).
  4. científica Castello, L. (2004). A method to count pirarucu Arapaima gigas: fishers, assessment, and management. North American Journal of Fisheries Management 24: 379–389.Base do método de contagem usado no manejo comunitário do pirarucu.
  5. científica Castello, L.; Arantes, C. C.; McGrath, D. G.; Stewart, D. J.; Sousa, F. S. (2015). Understanding fishing-induced extinctions in the Amazon. Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems 25(5): 587–598.Analisa a sobrepesca do pirarucu (Arapaima spp.) e a recuperação onde há manejo.
  6. científica Ferreira, E. J. G.; Zuanon, J. A. S.; Santos, G. M. (1998). Peixes comerciais do médio Amazonas: região de Santarém, Pará. Brasília: Ibama. 211 p.Obra impressa; a URL é o registro bibliográfico no FishBase, que cita esta obra para a espécie.
não confunda

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